Balanço do ano véio

É… é o assunto do momento: 2014.

E o trem deve ser importante mesmo, porque fez até a nega véia aqui tomar vergonha na cara e escrever umas mal traçadas linhas nessa biróska.

Intonces… O que dizer de 2014?

UFA!

Foi uma GRANDE ano!

Um ano de muitas colheitas e claro… de mais plantio também.

Fui recompensada a reencontrar meu gringo lindo, depois de um ano de namoro à distância, centenas e centenas de horas de conversas via skype. Fui recompensada por acreditar num sonho, no amor, no outro. Fui recompensada por ter cuidado da sementinha que plantamos juntos.

Voltar pra Europa, reencontrar amigos, sentir tudo novo… de novo.

Dublin é uma mãezona. E, como já era de se esperar, nos deu as mais chuvosas e cinzentas boas vindas.

Mudar. De casa, de país, de continente, de língua, de clima, de profissão.

Essa última, foi a maior das surpresas.

Esse ano me mostrou que meus dedinhos ágeis e inquietos podem ir além e criar mais que roteiros e campanhas… eles podem criar tortas, mousses, bolos, pães… e um mundo de coisas doces e bonitas.

Descobri que não preciso me crucificar e me subjulgar por trocar briefings e o laptop por farinha e batedeira. Posso usar minha critatividade em outras atividades que não exijam que eu exiba meu diploma de graduação.

E o melhor, posso ser feliz fazendo isso.

No fim, uma parte da vida da agência ainda está lá… a começar pelos clientes. Ah, sim, sempre eles… clientes exigentes, clientes confusos, clientes que não sabem bem da onde estão vindo ou pra onde estão indo.

Dias tranquilos. Outros tantos busy, busy, busy. Com hora para entrar, mas sem para sair.

Correria. Pressão. A exigência de servir 500 com a mesma qualidade de quando estamos servindo 15.

Trabalho em equipe.

Feedbacks.

E bora recomeçar tudo de novo.

Recomeçar tudo de novo.

Sou uma pessoa de recomeços. E, mudar de profissão, em outro país, em outra língua, foi uma das surpresas boas de 2014.

Foi um ano muito introspectivo também.

Foi um tal de “cuidar de mim”, “cuidar do meu relacionamento”, “pensar na minha vida”.

Aproveitando o fato da família e amigo estarem longe, me dei essa oportunidade de olhar pra dentro.

Claro, como consequência, isso fez com que em 2014 a Aninha estivesse bem ausente.

Coisa que quero mudar para 2015.

Consegui manter bons hábitos que adquiri em 2013. E o fato de trabalhar entre doces e gordices o dia todo e não ter reengordado o que emagreci em 2013, me deixou muito orgulhosa.

E lá vamos nós de novo colocar no planejamento de ano novo: entrar (e usar) na academia.

Também quero ter mais amigos ao meu redor. Já que os velhos não couberam dentro da mala pra vir pra Europa, (mas continuam morando no coração e nas redes sociais, pra sempre). O jeito é fazer amigos novos, juntar com os véios e fazer um super balaio de muitos amigos!

Também quero dançar mais.

E viajar mais também. Ah, sempre, mais e mais

E continuar amando e sendo amada! Ah, essa parte é ótima!

E continuar sonhando. E inventar ousadia e coragem para transformar os sonhos grandes em realidade.

E lá vamos nós!

2015 já chegou chegando.

Nem me deu tempo de fazer uma retrospectiva enquanto ainda era 2014.

Então, bora correr pra não perder esse trem bala chamado 2015.

Adoro ano novo.

Amo este momento de fazer um balanço, pensar no ano que passou, ticar o que realizou, recolocar no planejamento do próximo ano aquilo que não deu tempo-jeito-grana-momento-oportunidade de realizar.

Por mais piegas e subjetivo que seja, é bom sentir esse mundo de possibilidades se reabrindo. Parece que diz: “Pronto, zerei o cronometro. Vai lá e tenta de novo. Vai lá e arrasa!”

E eu vou.

Eu sempre vou.

Feliz ano novo para todos!

Muita paz, muito amor, muita alegria e motivos para sorrir. Muita simplicidade (afinal, pra que complicar, né?). Que você sinta muita vontade de fazer o bem sem olhar a quem e um desejo enorme de ser uma pessoa melhor a cada dia. Todos os dias.

#alguemnaomesegure

#feliz2015

#querovertodomundoqueeuamofeliz

#queroamartodomundo

#behappy

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Aninha Pastry Chef

É, galera, quem é vivo sempre aparece. Não sei o que exatamente significa “sempre” neste caso, mas com certeza não é sobre frequência.
Sim, quase três meses em Dublin. Quase sem dar notícias.
Então sem mais delongas, vamos lá!
Pra variar, o assunto é sobre trabalho.
É, minha gente… emprego, labuta, fatiga, lida, ocupação, dar duro, work, job.
Tudo isso pra ganhar um tutu, uma bufunfa, levantar uma grana, ter dinheiro, verba, tá cheio de moeda, encher o bolso do vil metal, ter uma nota pra gastar, ganhar uns pacotes, juntar pataca, prata, fazer um capital, queimar uma quantia… enfim, tudo aquilo que nós, capitalistas selvagens, já estamos ligados.
E lá vamos nós com as histórias de trabalho da Aninha. É isso mesmo. “Trabaiá” é uma das únicas coisas que a Aninha sabe fazer. Quer dizer, a Aninha sabe fazer um monte de coisa, mas todas elas se resumem em: trabalhar!
A Aninha agora é Pastry Chef! Pra quem não sabe, isso significa que eu faço (e posso comer, consequentemente) um monte de doces, bolos, sobremesas etc. HUUUUMMMM!!!! Podem soltar os cachorros!
E da onde a Aninha… quer dizer, eu (vamos parar com essa palhaçada de falar na terceira pessoa!)… retomando, de onde eu tirei a ideia de ser Chef Confeiteira na Ilha Esmeralda?
Senta que lá vem a história…
Bom, sempre tive uma atração fatal pela cozinha. Fosse pra comer – coisa bem inata mesmo – ou para xeretar minha linda genitora criando delícias e mais delícias e mais delícias.
Pois é, desde que me entendo por gente, sempre tive uma curiosidade de fazer isso e aquilo. E, principalmente, adorava fazer um bolinho, uma sobremesinha que fosse.
Quando estava com 15 anos, caí meio que de pára quedas num curso bem intensivo de confeitaria (a ideia era fazer um curso de secretariado+informática, mas só teria vaga para a próxima turma, então pra não ficar sem fazer nada, me inscrevi no curso de confeitaria + artesanato rsrsrsrs).
Lá eu era a queridinha da professora. Aprendi a fazer pães de lá divinos e sequilhinhos de cair o queixo. Entre outras cositas.
Com 16 comecei o magistério e o empreendedorismo tomou conta de mim… hahahaha… um monte de mulher o dia todo na escola, ganhanhdo uma bolsa pra estudar, com dinheiro, muito hormonio começando a florescer, espinha na cara e vontade de comer doce.
Opa, a Aninha está aqui! Seus problemas acabaram!
Comecei com bolo prestígio. Foi um sucesso de público e crítica.
Depois vi que as pessoas queriam mais, elas novidades. Fui em busca de especialização. Cursos de bolo gelado aos finais de semana.
Ponto!
Mas bolo todo dia não há quem aguente… (quer dizer, tem sim. Mas só os fortes!)
Era hora de avançar. De expandir. Era hora de ter uma sócia. Nada melhor do que uma grande amiga.
Passamos pelo pavê (muito custoso para o nosso público), sanduíche natural (sucesso de vendas, mas muito perecível, trabalhoso, demanda de muito material e muita força nos bracinhos para carregá-los) e finalmente chegamos no chocolate.
Hum… chocolate. Quem não gosta de chocolate? Quem não quer chocolate? Quem resiste ao chocolate?
Primeiros os bombons. Lindos, caseiros, delicados, recheados, suculentos. Chegamos na páscoa, com muitos ovos, corações e encomendas. Até nos aperfeiçoarmos tanto para termos os direito de produzir trufas de chocolate.
Sim, porque a vida não é assim, amiguinhos. Você não pode chegar de maneira leiga na frente de uma barra de chocolate Garoto de 3,5kg e dizer “Belezinha, hoje você vai derreter na minha mão! Vou te esquentar, vou te misturar, vou te transformar e você vai amar!” Nãããããããoooo!!!
Você precisa merecer, aprender, estudar, amar. E aí sim, o chocolate vai cooperar. Vai se modelar. Vai se deleitar. E seus clientes poderão se deliciar!
Fui estudar, minha gente!
Passei fins e fins de semana em cursos, pesquisando, imprimindo receita, testando, experimentando (porque ninguém é de ferro), fazendo pesquisa de mercado, para então chegar num produto de qualidade, com um custo acessível e um sabor inigualável!
Daí era só correr pro abraço.
Dos três anos de magistério, acho que ao menos 1 e meio, dentre outras coisas (grêmio, teatro, campanhas de festa junina, bons seminários e debates) eu era a “Menina da Trufa”.
O que era um ótimo marketing, motivo de orgulho, mas acabou virando um carma.
Um ano depois de me formar, fui à escola buscar meu diploma e quando fui passar em algumas salas pra dar um oi para os professores, as pessoas apontavam e gritavam: “Olha lá a menina da trufa! Você tem alguma aí com você?”
É, grandes poderes, grandes responsabilidades. Foi a lição que aprendi. Você não pode viciar as pessoas no chocolate mais delicioso do mundo e depois simplesmente ir embora, deixando dezenas, centenas, milhares, apenas sofrendo abstinência.
Eu fico imaginando essas meninas até hoje (já na casa dos 30 – olha eu revelando a velhice), com a família. Comendo um chocolate e contando pra todos as histórias das melhores trufas que ela já comeu na vida. Em como ela interrompia uma aula de prova, com o professor na sala, só pra pedir para a “Menina da Trufa” “Só mais uma por hoje, eu juro!” hahahahahahah
Velhos tempos. Boas experiências. Lembranças melhores ainda.
Enfim, todo este trololo, este nhenhenheim, este blábláblá, inclusive, acabei de dar uma fuçada no blog e no post “Carrot Cake” já tem essa mesma história, mas mais resumidinha… hahahahah… sim, seu esqueço o que eu escrevo!
E sim, essa história sem fim é para dizer que “Sim!” Suas experiências de vida podem te ajudar aqui na Irlanda.
No meu caso, é este meu amor de longa data pelos docinhos.
Como está no post anteriormente citado, da última vez que estive por aqui, minha primeira experiência trabalhistica foi numa confeitaria.
Pelas voltas que o mundo dá, não fiquei lá muito tempo. Só umas 3 semanas. Adorava o trabalho lá, mas era longe, eu tinha que pagar Dart e o chinês estava abrindo o negócio e não podia me pagar nem o salário mínimo.
Acabei ficando no mexicano, virei uma Pablo Picante girl e o resto das histórias, de dely em dely, estão nos posts anteriores.
Só que cheguei aqui dessa vez decidida a não trabalhar em dely de novo. Sério, fiquei traumatizada.
E botar a mão na massa, literalmente, era uma das ideias. Por que não?
Daí vem a segunda coisa importante aqui: fale pra todo mundo que você está procurando emprego e o que você quer fazer.
Bem, no primeiro apartamento que fomos visitar conhecemos uma brasileira e conversa vai, conversa vem, eu falei que gostava de fazer doces e tal. E ela comentou que trabalhava num wine bar e que eles estavam procurando uma pastry chef. Eu pensei “Ai, jisuis, eu gosto de fazer uns bolos e tal, mas PASTRY CHEF?” Sim, o nome assusta.
O ap não deu certo (já tinha outro casal pra dar a resposta e os cretinos, quer dizer, os bonitinhos, fecharam).
Ficamos mais duas semanas procurando casa desesperadamente.
Aliás, este é o tema pra outro post. A crise dos aluguéis aqui em Dublin. A coisa tá crítica mesmo.
Mas voltando, neste meio tempo procurando casa, achando casa, mudando de casa, tirando GNIB, eu não estava com cabeça pra procurar trampo. Resolvi deixar rolar.
Umas três semanas depois, encontrei a mesma brasileira no ônibus e ela disse que o restaurante ainda estava precisando.
“Uai, então é pra mim este trem!”. Pedi pra ela o nome do restaurante, refiz meu currículo, caprichei na “Pastry experience”, e sai mandando o cv para todos os emails que estavam no site.
Fui na grafton, imprimi meu lindo CVzinho e no dia que estava planejando ir lá pessoalmente pra entregar… (é, galera, quando encafifo numa ideia, eu perturbo messssssmmmmo). Então, eu iaaaaaaaa lá, pretérito imperfeito do verbo ir, o que significa que eu não fui!
E por que a Aninha não foi (a a mardita terceira pessoa quer reinar, não resisto). Não fui porque me ligaram!
YES!
Eu tinha um teste.
Fui. Gostei. Gostaram. = Trabalho.
A Aninha estava empregada, again.
Fiz o teste dia 04 de abril. Um mês e um dia em Dublin. Da outra vez foi igualzinho.
O restaurante é bem legal.
Estou aprendendo MUITO. Tenho sorte de trabalhar com dois chefs muito responsa e muito gente boa. Um brasileiro e outro das Ilhas Maurício.
Então, galerê!
Anime-se! Aprendam! Usem seus conhecimentos e capacidades mil!
Tira a bunda do sofá e faça acontecer!
#alguemnãomesegure #feliz #empregada #fazendodocepracaçamba

Aprendizados, constatações e bizarrices em uma semana e 1 dia de Dublin

– Você paga por 2 semanas de acomodação para não se preocupar e em 3 noites dorme em 3 lugares diferentes.

– Donos de B&B de bairros charmosos são simpáticos casais irlandeses de meia idade, que adoramm saber quem é vc, o que vc faz, quais são seus sonhos, conversar sobre o tempo etc. Constatação pela estadia em 2 B&B, 2 bairros, 2 casais, 4 fofos. Uma ótima maneira de gastar bastante do seu inglês (principalmente seu listening)

– Estar entre mais de 100 pessoas em frente a um prédio pra visitar
UM apartamento para alugar é algo assustador.

– Quando seus principais companheiros na acomodação são pedreiros, pintores, um construtor figura e outras trabalhadores significa que algo está errado. Mas não quer dizer que vc não possa se divertir um pouco, fazer amizades, respeitar os trabalhadores e oferecer um pouco de café de vez em quando.

– Você está dentro do ônibus e o motorista fala pelo auto falante: “Tenha certeza que sabe onde estão seus pertences, carteira e celular. Pessoas indesejáveis dentro do ônibus neste momento”.

– Você está dentro do ônibus (de novo) e depois de 3 minutos que vc entrou o motorista fala pelo autofalante (de novo) “Troca de motorista” e o ônibus fica parado 20 minutos no ponto!

– Você abre o mapa no meio da rua e algum local vem pra te oferecer ajuda e se esforça ao máximo pra você entender onde precisar ir.

– Você pergunta em que rua está e o transeunte, em 5 segundos, localiza no GPS do celular sua localização exata, onde vc precisa ir e te dá toda a orientação de como chegar.

– Você para no ponto de ônibus e fica olhando o informativo sobre a linhas e horários e a senhorinha simpática chega perto, pergunta se precisa de ajuda e te explica todo o funcionamento do sistema de ônibus da cidade.

– Tudo igual , tudo novo, de novo.

Welcome to Dublin

 

Não sei se me motorizo ou compro uma passagem pra Dublin

Foi mais ou menos assim que tomei a decisão de fazer meu intercâmbio. Vontade, ah essa já existia faz tempo. Conhecer o mundo, aprender muito, de muitas formas e em diferentes lugares. Só isso já é motivo mais do que suficiente para sonhar em morar fora. Mas vamos lá, por que comprar um carro ou ir pra pro exterior?
Eu amo minha cidade. Sério mesmo! Sou paulistana e tenho muito orgulho disso. Mas sofro demais com o trânsito dessa megalópole. Sofro, o trânsito me destrói, os ônibus cheio conseguem me tirar do sério, calor humano, desrespeito com a população que deixa metade de seus ganhos em impostos, total falta de estrutura para o crescimento desenfreado da cidade e seus arredores… enfim… acreditava que comprando um carro seria algo do tipo “seus problemas acabaram!”. Mas aí passei a observar quem dirige na cidade. Um bando de estressados! Rsrs… o mesmo trânsito, a diferença é que não tem o calor humano. Mas você também não pode ler (o que é possível caso você consiga um milagroso lugar pra sentar no busão), ao contrário, é preciso atenção total. Porque mesmo fazendo tudo certo a possibilidade de você se envolver em um acidente no trânsito de Sampa é bem alta.
Mas que post mais pessimista! Principalmente para um 1º post!
É verdade… só sei que por tudo isso e mais um pouco decidi: ta na hora de tirar um ano pra mim!
E é isso que irei fazer.
Está chegando!
Embarco dia 15/10.
Escola paga, passagens pagas, seguros comprados, primeira hospedagem paga, euro… bem o euro é um safado que não para de subir…
Ontem foi meu último dia no trampo. Agora terei (espero) tempo para escrever aqui.
Pretendo ajudar quem pretende encarar a mesma aventura que eu. Afinal, blogs me ajudaram pra caramba. Com dicas, passo a passo de intercâmbio pra Irlanda e as experiências de cada um que é o mais legal.
É o mais legal principalmente porque é o que você mais vai encontrar por aqui. Blé!

Prometo que em algum momento (em breve) conto o tão procurado: passo a passo do intercâmbio para Dublin! rsrsrs…

Não posso deixar de fechar esse 1º post com a conversa que tive ontem cedo com minha mãe.
Situando: as duas se arrumando pra ir trabalhar. Meu último dia no trampo. Começo da contagem regressiva dos últimos 15 dias. Na noite anterior conheci pessoalmente um rapaz que também vai pra Dublin, pessoa gente boa demais, mas bastante ansioso o que me contagiou.

Eu: (na porta do banheiro, tirando a remela do olho) “Nossa, essa noite não dormi direito. Acordei assustada, achando que era super tarde, porque o rádio estava desligado e quando olhei o celular não eram nem 6 da manhã.”
Mãe: (no banheiro, passando chapinha no cabelo) “Você está nervosa porque hoje é o último dia…”
Eu: (tentando fazer drama) “É mãe, ta chegando!”
Mãe: (quebrando minhas pernas) “Ué, você marcou, uma hora tem que chegar!”

Por que eu tenho uma mãe tão madura?

PS:ah, e hoje tem show do SOAD pra exorcizar TUDO! rsrsrsrs…