Aninha Pastry Chef

É, galera, quem é vivo sempre aparece. Não sei o que exatamente significa “sempre” neste caso, mas com certeza não é sobre frequência.
Sim, quase três meses em Dublin. Quase sem dar notícias.
Então sem mais delongas, vamos lá!
Pra variar, o assunto é sobre trabalho.
É, minha gente… emprego, labuta, fatiga, lida, ocupação, dar duro, work, job.
Tudo isso pra ganhar um tutu, uma bufunfa, levantar uma grana, ter dinheiro, verba, tá cheio de moeda, encher o bolso do vil metal, ter uma nota pra gastar, ganhar uns pacotes, juntar pataca, prata, fazer um capital, queimar uma quantia… enfim, tudo aquilo que nós, capitalistas selvagens, já estamos ligados.
E lá vamos nós com as histórias de trabalho da Aninha. É isso mesmo. “Trabaiá” é uma das únicas coisas que a Aninha sabe fazer. Quer dizer, a Aninha sabe fazer um monte de coisa, mas todas elas se resumem em: trabalhar!
A Aninha agora é Pastry Chef! Pra quem não sabe, isso significa que eu faço (e posso comer, consequentemente) um monte de doces, bolos, sobremesas etc. HUUUUMMMM!!!! Podem soltar os cachorros!
E da onde a Aninha… quer dizer, eu (vamos parar com essa palhaçada de falar na terceira pessoa!)… retomando, de onde eu tirei a ideia de ser Chef Confeiteira na Ilha Esmeralda?
Senta que lá vem a história…
Bom, sempre tive uma atração fatal pela cozinha. Fosse pra comer – coisa bem inata mesmo – ou para xeretar minha linda genitora criando delícias e mais delícias e mais delícias.
Pois é, desde que me entendo por gente, sempre tive uma curiosidade de fazer isso e aquilo. E, principalmente, adorava fazer um bolinho, uma sobremesinha que fosse.
Quando estava com 15 anos, caí meio que de pára quedas num curso bem intensivo de confeitaria (a ideia era fazer um curso de secretariado+informática, mas só teria vaga para a próxima turma, então pra não ficar sem fazer nada, me inscrevi no curso de confeitaria + artesanato rsrsrsrs).
Lá eu era a queridinha da professora. Aprendi a fazer pães de lá divinos e sequilhinhos de cair o queixo. Entre outras cositas.
Com 16 comecei o magistério e o empreendedorismo tomou conta de mim… hahahaha… um monte de mulher o dia todo na escola, ganhanhdo uma bolsa pra estudar, com dinheiro, muito hormonio começando a florescer, espinha na cara e vontade de comer doce.
Opa, a Aninha está aqui! Seus problemas acabaram!
Comecei com bolo prestígio. Foi um sucesso de público e crítica.
Depois vi que as pessoas queriam mais, elas novidades. Fui em busca de especialização. Cursos de bolo gelado aos finais de semana.
Ponto!
Mas bolo todo dia não há quem aguente… (quer dizer, tem sim. Mas só os fortes!)
Era hora de avançar. De expandir. Era hora de ter uma sócia. Nada melhor do que uma grande amiga.
Passamos pelo pavê (muito custoso para o nosso público), sanduíche natural (sucesso de vendas, mas muito perecível, trabalhoso, demanda de muito material e muita força nos bracinhos para carregá-los) e finalmente chegamos no chocolate.
Hum… chocolate. Quem não gosta de chocolate? Quem não quer chocolate? Quem resiste ao chocolate?
Primeiros os bombons. Lindos, caseiros, delicados, recheados, suculentos. Chegamos na páscoa, com muitos ovos, corações e encomendas. Até nos aperfeiçoarmos tanto para termos os direito de produzir trufas de chocolate.
Sim, porque a vida não é assim, amiguinhos. Você não pode chegar de maneira leiga na frente de uma barra de chocolate Garoto de 3,5kg e dizer “Belezinha, hoje você vai derreter na minha mão! Vou te esquentar, vou te misturar, vou te transformar e você vai amar!” Nãããããããoooo!!!
Você precisa merecer, aprender, estudar, amar. E aí sim, o chocolate vai cooperar. Vai se modelar. Vai se deleitar. E seus clientes poderão se deliciar!
Fui estudar, minha gente!
Passei fins e fins de semana em cursos, pesquisando, imprimindo receita, testando, experimentando (porque ninguém é de ferro), fazendo pesquisa de mercado, para então chegar num produto de qualidade, com um custo acessível e um sabor inigualável!
Daí era só correr pro abraço.
Dos três anos de magistério, acho que ao menos 1 e meio, dentre outras coisas (grêmio, teatro, campanhas de festa junina, bons seminários e debates) eu era a “Menina da Trufa”.
O que era um ótimo marketing, motivo de orgulho, mas acabou virando um carma.
Um ano depois de me formar, fui à escola buscar meu diploma e quando fui passar em algumas salas pra dar um oi para os professores, as pessoas apontavam e gritavam: “Olha lá a menina da trufa! Você tem alguma aí com você?”
É, grandes poderes, grandes responsabilidades. Foi a lição que aprendi. Você não pode viciar as pessoas no chocolate mais delicioso do mundo e depois simplesmente ir embora, deixando dezenas, centenas, milhares, apenas sofrendo abstinência.
Eu fico imaginando essas meninas até hoje (já na casa dos 30 – olha eu revelando a velhice), com a família. Comendo um chocolate e contando pra todos as histórias das melhores trufas que ela já comeu na vida. Em como ela interrompia uma aula de prova, com o professor na sala, só pra pedir para a “Menina da Trufa” “Só mais uma por hoje, eu juro!” hahahahahahah
Velhos tempos. Boas experiências. Lembranças melhores ainda.
Enfim, todo este trololo, este nhenhenheim, este blábláblá, inclusive, acabei de dar uma fuçada no blog e no post “Carrot Cake” já tem essa mesma história, mas mais resumidinha… hahahahah… sim, seu esqueço o que eu escrevo!
E sim, essa história sem fim é para dizer que “Sim!” Suas experiências de vida podem te ajudar aqui na Irlanda.
No meu caso, é este meu amor de longa data pelos docinhos.
Como está no post anteriormente citado, da última vez que estive por aqui, minha primeira experiência trabalhistica foi numa confeitaria.
Pelas voltas que o mundo dá, não fiquei lá muito tempo. Só umas 3 semanas. Adorava o trabalho lá, mas era longe, eu tinha que pagar Dart e o chinês estava abrindo o negócio e não podia me pagar nem o salário mínimo.
Acabei ficando no mexicano, virei uma Pablo Picante girl e o resto das histórias, de dely em dely, estão nos posts anteriores.
Só que cheguei aqui dessa vez decidida a não trabalhar em dely de novo. Sério, fiquei traumatizada.
E botar a mão na massa, literalmente, era uma das ideias. Por que não?
Daí vem a segunda coisa importante aqui: fale pra todo mundo que você está procurando emprego e o que você quer fazer.
Bem, no primeiro apartamento que fomos visitar conhecemos uma brasileira e conversa vai, conversa vem, eu falei que gostava de fazer doces e tal. E ela comentou que trabalhava num wine bar e que eles estavam procurando uma pastry chef. Eu pensei “Ai, jisuis, eu gosto de fazer uns bolos e tal, mas PASTRY CHEF?” Sim, o nome assusta.
O ap não deu certo (já tinha outro casal pra dar a resposta e os cretinos, quer dizer, os bonitinhos, fecharam).
Ficamos mais duas semanas procurando casa desesperadamente.
Aliás, este é o tema pra outro post. A crise dos aluguéis aqui em Dublin. A coisa tá crítica mesmo.
Mas voltando, neste meio tempo procurando casa, achando casa, mudando de casa, tirando GNIB, eu não estava com cabeça pra procurar trampo. Resolvi deixar rolar.
Umas três semanas depois, encontrei a mesma brasileira no ônibus e ela disse que o restaurante ainda estava precisando.
“Uai, então é pra mim este trem!”. Pedi pra ela o nome do restaurante, refiz meu currículo, caprichei na “Pastry experience”, e sai mandando o cv para todos os emails que estavam no site.
Fui na grafton, imprimi meu lindo CVzinho e no dia que estava planejando ir lá pessoalmente pra entregar… (é, galera, quando encafifo numa ideia, eu perturbo messssssmmmmo). Então, eu iaaaaaaaa lá, pretérito imperfeito do verbo ir, o que significa que eu não fui!
E por que a Aninha não foi (a a mardita terceira pessoa quer reinar, não resisto). Não fui porque me ligaram!
YES!
Eu tinha um teste.
Fui. Gostei. Gostaram. = Trabalho.
A Aninha estava empregada, again.
Fiz o teste dia 04 de abril. Um mês e um dia em Dublin. Da outra vez foi igualzinho.
O restaurante é bem legal.
Estou aprendendo MUITO. Tenho sorte de trabalhar com dois chefs muito responsa e muito gente boa. Um brasileiro e outro das Ilhas Maurício.
Então, galerê!
Anime-se! Aprendam! Usem seus conhecimentos e capacidades mil!
Tira a bunda do sofá e faça acontecer!
#alguemnãomesegure #feliz #empregada #fazendodocepracaçamba

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