Usar as coisas e amar as pessoas?

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Ame as pessoas, use as coisas e não o contrário.

Já escutei essa afirmação várias vezes. É bonita. Faz sentido. Até a página dois.

Vivemos em uma sociedade de consumo. Em que as pessoas – em geral – estão esquecendo o valor das pessoas, das relações sociais, dos laços afetivos. E dando cada vez mais valor às coisas, ao status, às posses materiais.

Então faz todo o sentido dizer para usar as coisas e amar as pessoas e não o contrário.

Mas tem um outro conceito que gosto mais. Diz: “Não estou vivo, sou vivificado”

Várias vezes que estive perdida, confusa, sentindo que não tinha nada, nem ninguém, pensava na profundidade desse conceito. E parava para olhar tudo ao meu redor. Sim, as coisas materiais. Se estava deitada chorando na minha cama, pensava: “Estou numa cama, em cima de um colchão, tem ao menos duas camadas de lençóis, um travesseiro, uma fronha, as paredes em volta de mim, as roupas que estou vestindo, a comida que está na minha barriga neste momento, toda a mobília que está neste comodo. Em última análise, não estou sozinha.”

Quanto trabalho e quanto amor e centenas de pessoas não foram necessários apenas para que você acordasse hoje e encontrasse tudo o que você tem a sua volta e ao seu dispor?

Quando tratamos as coisas, simplesmente como coisas elas são frias, não inspiram sentimentos, são descartáveis, podem ser substituídas a qualquer instante.

Parece fazer sentido. Mas acho que faz muito sentido a indústria do consumo, que te faz “materialista”, no sentido de precisar de muitas coisas para viver, mas ao mesmo tempo “desapegado”, no sentido de conseguir descartar as coisas com uma facilidade imensa. Para comprar o próximo lançamento, a última têndencia, o que está na moda hoje.. que não será o mesmo de ontem, nem de amanhã… provavelmente o mesmo de 20 anos atrás, mas você nunca saberá, pois já se livrou de tudo das tendências passadas.

Já quando passamos a ver tudo o que nos cerca como a manifestação do trabalho e do amor de todas as pessoas, como recursos naturais que foram usados para te manter vivo, alimentado, protegido… nossa visão muda. Vemos que mesmo através das coisas, podemos amar as pessoas. Que talvez devêssemos cuidar mais de nossas coisas, com amor, como um gesto de amor extendido a quem arou a terra, para plantar o algodão, quem colheu, quem o transformou, quem teve a ideia do business, quem fez o designer, quem produziu, quem te vendeu… para você usar algumas vezes e pensar: “Acho que já deu, próximo!”

Sem contar em toda a água, degradação do solo, químicas e pestecidas usadas, a poluição de produzir e transportar para fazer com que aquele produto chegue até você.

Pra terminar, uma historinha. Sobre a xicarazinha que ilustra este post. Ela pertencia ao avô do meu namorado. Na Itália. Não sei quantas décadas atrás. Gaetano ama tomar café. Seu espresso. Curto. E as xícaras grandes não servem. Talvez a gente poderia ter encontrado xicarazinhas modernas e cool em alguma loja. Mas da última vez que ele foi pra sua cidade natal, ele passou na casa do avô e trouxe três xicarazinhas de lá.

Eu não conheci nono Michelle. Mas sinto-me afeiçoada à ele. Tantas histórias já escutei. E pesa o fato de toda a família dizer que ele iria gostar de mim. A brasileira. Ou seja, era gente boa.

Agora, eu que nem tomo café regularmente, tenho esse exemplo de amor vivificado todos os dias. Cada vez que lavo a xicarazinha, tomo o maior cuidado do mundo. Imagino as gerações que já tomaram café ali. Essa xicarazinha já viu mundos que eu nunca vi. Essa xicarazinha conheceu pessoas que eu adoraria conhecer. Essa xicarazinha é motivo de sorrisos nostálgicos e histórias do tempo da guerra, vida no campo, nevascas severas e orgulho da geração passada.

Eu não quero usar essa xicarazinha.

Eu amo essa xicarazinha, sua história e o que ela representa em nossas vidas.

Documentário muito interessante sobre moda: The true cost

 

 

 

 

 

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Ora, pois!

Agora os leitores desse blog (se é que restou algum… rsrsrs) podem ficar felizes!

Afinal, mais do que fazer intercâmbio, o que o estudante que vem pra Dublin quer mesmo é dar um giro pela europa.

A Aninha tá viajando pelas zooropa, mano!

Uma semana em Portugal!

Grande semana!

Estou feliz e ao mesmo tempo triste…

Feliz pela decisao que tomei, pela viagem que fiz, pelos lugares que vi, pelas pessoas que conheci e que me recepcionaram, pelos momentos maravilhosos que vivi!

Triste porque subi num ônibus e fui embora da terrinha. 😦

Foram dias sensacionais que sem dúvida ficarao gravados pra sempre na minha memória e no meu coraçao…  e nas centenas de fotos que tenho como recordaçao hehe.

Portugal me conquistou! É um país lindo! Riquíssimo em história e cultura, possui um rico relevo capaz de agradar a gregos e troianos. Sao praias, motnhas, serras, castelos, vilarejos medievais etc.

Acredito que Portugal divulga-se mal. Deveria ser rota obrigatória para todos que querem conhecer Espanha, França e Itália, por exemplo.

Por lá, come-se muito bem, obrigada. E muito barato, comparado com os preços de Dublin.

E claro, nós brasileiros herdamos muita coisa da cultura portuguesa. É a nossa história, parte das nossas origens, e (praticamente) todo brasileiro tem um bocadinho de sangue português correndo nas veias.

Nossos hábitos alimentares sao similares: as deliciosas padarias, o café da manha (ou pequeno almoço, como é chamado por lá) com paes, frios, café, leite; almoço no prato e com boa comida. O jeito receptivo com amigos / visitas / familiares também lembra o do povo brasileiro.

Como é bom falar português na europa! A língua é (QUASE) a mesma, mas às vezes nos enrolamos um pouco e até apelamos para o inglês hihi. Principalmente com gírias e adjetivos.

Para uma pessoa piadista como essa aprendiz de blogueira, o jeito mais literal dos portugueses pode ser um pouco tragicômico. Isso aconteceu logo no 1º restaurante em que fui almoçar em Lisboa. Disse, com toda inocência, ao garçom que nao estava a fim de escolher o lugar e/ou o que comer e ele entendeu que eu nao estava a fim de comer la no restaurante onde estava oferencendo o almoço. hahahaha… Ele foi meio dramático e quase grosseiro. Disse que “só estava a fazer” o trabalho dele e tal… mas quando eu me desculpei pela confusao e disse que iria almoçar lá, ele derreteu-se todo. É cada gajo que me aparece!

Fui muitíssimo bem tratada em Portugal! E bem recebida pelos portugueses, nao tenho do que reclamar. Ao contrário, somente a agradecer. Mas – e infelizmente tem um “mas” – a fama das mulheres brasileiras na terra de nossos patrícios nao é das melhores. Basicamente associam brasileira à prostituta. Fiquei puta, quer dizer, muito brava quando ouvi isso… rsrsrs… mas pelo que me explicaram, há mesmo muita brasileira na prostituiçao por lá. É uma associaçao preconceituosa, mas natural… nós também fazemos isso o tempo todo, associamos uma nacionalidade à alguns esteriótipos. Uma das coisas boas de viajar e conhcer gente de todo lugar, é ir quebrando esses preconceitos. Podemos criar conceitos e ter a consciência que eles sao seus, construídos a partir das suas experiências, suas histórias. Nao sao verdades absolutas. Mas quem quer verdades absolutas? Elas existem? E se existem, só servem para serem quebradas e contestadas. Caso contrário, geralmente a coisa fica feia.

Em Portugal as pessoas contam histórias! Ao menos para mim contaram. No meu primeiro passeio, estava sentada numa praça, já de regata sob um sol de 20ºC, mas seco pra danar e consequentemente mais quente, e uma senhorinha pediu para sentar no mesmo banco em que eu estava. Claro que deixei. Um minuto depois surge a amiguinha dela. Cumprimentou a colega e foi dar uma volta pela praça. Quando ela voltou começou a puxar papo. 87 anos de pura jovialidade. E ela sabe e se orgulha disso. No meio da conversa sacou um envelope cheio de fotografias para mostrar a festa de aniversário que fizeram pra ela no Canadá! (Tá vendo, nao é só a Luiza que vai pro Canadá! hihi… nao resisti)

Muito fofa! Toda serelepe e cheia de energia. Esse ano está planejando de ir novamente. Como gosto de conhecer pessoas. E pessoas cheias de história e vida, independente da idade.

Há tanto mais para se falar de Portugal, mas o show tem que continuar. Minha viagem continua, agora estou em Madri.

Resolvi postar porque nao podia deixar de falar de Portugal. Uma parte de mim ainda está lá, na verdade.

Vou colocar algumas fotos que falarao por mim.

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Alguém me segure!

PS: pra variar, eu nao consigo me entender com a informática. Dessa vez foi o til que resolveu sumir desse teclado espanhol, entao já viu, né?