Pode ser sorte, pode ser azar… Parte V

Tchan, tchan, tchan…
Qual sera que foi o resultado da minha temivel, ameacadora e tempestuosa frase?
Nenhum…
Ela simplesmente foi embora com todo sua arrogancia e em poucos minutos o socio Irish chegou. Perguntou se estava tudo bem e a “Aninha-nao-sabe-esconder-o-que-pensa-e-sente”, disse que sim. Ele insistiu e eu disse o que tinnha acontecido. Ele ficou puto, disse que eu estava fazendo um otimo trabalho e que iria conversar com ela.
Eu nao gosto desses nhem-nhem-nhem em trabalho, mas tem situacoes que sao f…
No dia seguinte ela chegou possuida, dizendo que se eu me ofendi deveria ter ido falar com ela, que brasileiro nao pode queimar brasileiro etc. Fico pensando, ela é brasileira e achava que meu trabalho era “mamao com acucar”, as polonesas eram umas fofas comigo e sempre diziam que nao sabiam como eu aguentava o tranco e tal. E eu deveria fazer o que? Puxar o saco da grossa? Gente é gente. Em toda cultura e nacionalidades tem as que o genio bate e outras nao.
Gostei muito de trabalhar com brasileiro em geral. Essa foi a unica excecao. Pessoal esforcado, que nao tem medo nem preguica de trabalho, ajuda, ensina, orienta em tudo o que é possivel. Mas sempre tem um casinho pra virar um causinho, né?
Meu horario era das 7 às 15h. Claro que era impossivel terminar tudo o que tinha que fazer. Ainda tinha o detalhe: limpar a cozinha porca! No comeco estava indo embora todo dia 5, 6 da tarde. Mas nao tinha como aguentar o tranco. 11 horas em pé numa cozinha com a temperatura de uns 50°C na cuca o dia inteiro, nao é mole nao!
Falei com o Andy e ele colocou uma outra brasileira pra me ajudar. Ela ficava no dely até as 15h e quando eu ia embora ela descia e descascava uns legumes, adiantava algumas coisas e limpava a cozinha.
Tudo poderia ter caminhado pra algum lugar, se os donos nao fossem dois birutas. Eles mudavam de ideia todo dia. O restaurante comecou com uns 10 ou 12 funcionarios. Ate eu achava muito. Mas de uma hora pra outra ele comecou a demitir gente. Demitia 3, testava 1… As meninas do dely super sobrecarregadas. Dai ele simplesmente mudou meu horario para das 9 as 17h. Dizendo que assim nao precisava mais de ajuda e poderia limpar a cozinha. Eu praticamente nao dava conta de fazer o que tinha que fazer entre 7 e 12h, agora teria duas horas a menos.
Ninguem ficava no restaurante. Nenhum dos donos, nem o chef. O restaurante tinha cameras para todos os lados e eles ficavam nos assistindo tipo Big Brother. Depois vinha um dia pra dar “enrabadas” e falar: “Voce esta trabalhando mal!” “Voce é lenta!” etc.
Era bizarro. Uma das pessoas pra quem ele falou isso foi aquela brasileira. Ela ficou furiosa. Vivia dizendo pros quatro ventos que as outras meninas eram lerdas e ela levava o dely nas costas. Imagina ouvir do dono que ela era a lenta! Essa menina chorou, esperneou, chamou o dono pra conversar e falar que ela era boa, sim senhor! Poucos dias depois foi viajar pra Paris, no dia que deveria voltar, telefonou falando que o voo de volta pra Dublin atrasou e o Andy falou que ela nao precisava mais voltar.
E a coisa foi indo por esse rumo.
Quando tinha mais ou menos um mes que estava trabalhando la, tive uma infeccao estomacal. Algo que nunca tinha acontecido em minha vida. Comecei com umas dorzinhas abdominais tipo na quarta-feira. Ate comentei com as meninas do restaurante, mas tudo bem. Na sexta-feira a noite fui pro Boteco Brasileiro, pois ia ter o tal do Caio Castro como DJ. Fui ja moribunda e nao aguentei ficar nem uma hora la.
Voltei pra casa e os proximos dias foram de dor e sofrimento. Tudo que ingeria causava dores insuportaveis no meu estomago e em poucos minutos ia ao banheiro e botava tudo pra fora.
No total fiquei 5 dias podre. O fim de semana e so voltei a trabalhar na quinta-feira. Fui ao medico, tinha receita, atestado e tudo o mais.
Hoje tenho certeza que foi a comida la do restaurante que me fez mal. Nao costumava comer sempre la. Eles nao davam comida. Tinhamos um desconto de 30%, entao ou levava algo de casa, ou comia alguma coisa no Spar que ficava em frente. Mas de vez em quando, pedia pras meninas fazer uma wrap pra mim. Escolhia entre as coisa que estavam mais fresquinhas. Mesmo assim, as condicoes daquele lugar. E principalmente o fato da minha mente ficar pensando isso: “Alguem pode passar mal comendo a comida daqui! Alguem pode passar mal comendo a comida daqui! Alguem pode passar mal comendo a comida daqui!”. Irlandes tem estomago de avestruz. Resultado, quem passou mal? A propria Aninha! Foi um horror!
Ah, quando fiquei doente fui à uma medica polonesa que nao falava ingles! Uma comedia! Mas isso é assunto para outro post…
“O que aconteceu, Ana? Pelamor, diz logo porque esse post ja esta ficando mais comprido que o cabelo da Rapunzel emendado em Faroeste Caboclo e atrelado com November Rain!” (essa nem eu sei da onde eu tirei!)
Ok, leitores preguicosos! Vamos aos finalmentes.
Se voce pensou: “Ufa!” Vou escrever mais 20 paginas, so de raiva!
Brinqs!
Bem, desde quando eu estava no Pablo da primeira vez (em dezembro, eu acho) minha flatmate e eu, compramos ingressos para ir assistir Pearl Jam em Berlin! Ela faz parte do fa clube e tinhamos ingressos para os dois dias de show. Pois bem, os shows eram quarta e quinta. Compramos as passagens indo pra Berlin quarta e voltando sexta. Pois bem, planejamos assim, pois no Pablo eu trabalhava de domingo a domingo e tinha folgas em dias alternados durante a semana. Geralmente duas folgas. Entao pedir uma folga a mais nao seria o fim do mundo e eu poderia trabalhar o fim de semana.
O fato é que nao fiquei no Pablo. E no Chopped eu trabalhava de segunda a sexta. O restaurante fechava aos finais de semana.
Comecei a trabalhar no comeco de maio. O show seria no comeco de julho. Quando estava umas duas semanas la, ja avisei sobre minha viagem. Disse que precisaria ficar tres dias fora, expliquei toda a historia anterior e tals. Falei primeiro para o Brian (o socio Irish, que depois descobri que nao apitava nada) e depois, na frente do Andy, lembrei o Brian de avisar o Andy. E ele explicou tudo.
Ok. Aviso pra mim é aviso. E assim continuamos nossos dias felizes, trabalhando na cozinha porca e sem nenhum supervisionamento.
Ate que chegou a semana anterior a minha viagem. A essa altura do campeonato, o Rory de vez em quando aparecia pra mexer numa coisa outra na cozinha. Eu aproveitei e avisei pra ele tambem sobre minha viagem. Alguns dias antes da minha viagem o Slav pediu as contas. O Andy pediu a eles alguns dias para testar e treinar um substituto. Os dias se passavam e ninguem fazia nada sobre colocar alguem no meu lugar, nao sabia se o Rory viria, ou sei la o que. Por coincidencia, na vespera da minha viagem foram dois chineses fazerem testes. E um deles continuaria indo nos proximos dias. Melhor assim. Afinal, a cozinha era tao pequena e tumultuada que nem dava pra trabalhar tanta gente mesmo. Avisei pela ultima vez o Rory (pois era a unica pessoa responsavel que estava la) na vespera da minha viagem e fui tranquila.
Fui, assisti a dois shows incriveis do Pearl Jam. Na segunda noite ficamos na primeira fila, na grade mesmo! Quase no fim do show o guitarrista pulou do palco e fez um solo de guitarra olhando nos olhos da minha amiga! Foi o maximo!
Passeamos um pouco por Berlin. Tudo bem corrido e superficial, mas deu pra perceber quao moderna, cosmopolitana e “pra frente” é aquela cidade. Gostei muito!
Cheguei em Dublin na sexta feira a noite. E nao foi muita surpresa quando no domingo o Andy me liga e pergunta o que aconteceu. Eu disse que estava na Alemanha, ué! E ele teve a “cara-de-pequeno-pau-chinaman” de dizer que eu nao tinha avisado. Ah va!
Eu tentei explicar, disse que ja tinha avisado fazia mais de um mes, para os dois donos e na véspera avisei para o chef de cozinha. Ele disse: “Quinta-feira voce pode vir pegar o seu cheque, mas nao precisa vir mais!”
Ah, fiquei muito brava! Disse a ele que se ele nao precisava mais dos meus servicos, tudo bem. Mas que nao justificasse falando que eu nao havia avisado. Ele disse que eu tinha que relembra-lo, que ele era muito ocupado e nao tinha obrigacao de lembrar. Eu soltei um “ocupado eu nao sei, mas desorganizado, com certeza! Como voce pode administar um restaurante desse jeito?” Ele respondeu algo do tipo: “Eu sou o dono e faco o que quiser!” “Por isso aquele lugar vai de mal a pior! E adeus!”
Liguei para a outra funcionaria brasileira que tambem estava planejando viajar, para falar pra ela avisar 57 vezes pra nao correr o risco e ela solta: “Tarde demais, ele ja me demitiu na sexta-feira!”.
Resumindo, ele demitiu todas as brasileiras e comecou a contratar um monte de chines. Tudo bem. Se voce prefere trabalhar com quem é da sua cultura, eu nao vejo nenhum problema. Mas inventar motivo pra te despedir, ah isso nao admito. Enfim, mais uma experiencia para o CV. Mais uma historia pra contar.
Uma parte de mim gostava de trabalhar la. Nao sei exatamente o porque. Acordava às 5 da manha, chegava em casa totalmente destruida. Nao tinha forca pra fazer mais nada. Era pesado, puxado, nao tinhamos horario de intervalo. Apenas 15 minutos pra engolir alguma coisa. Ficava no minimo 8 horas em pe. Um calor de matar. Chegava em casa totalmente defumada. Meu cabelo, minha roupa, ate minhas meias e calcinhas cheiravam a tempero. Mas gostava de passar um tempo com minhas comidinhas. Picar, temperar, cozinhar. Sentia-me util e realmente fazendo algo de novo e interessante. Aprendi muito e imagino se fosse uma cozinha organizada e com um chef de verdade pra me orientar o quanto mais poderia ter aprendido.
É claro que valeu a experiencia.
Na verdade, foi a primeira vez em Dublin que pensei sobre meu trabalho. Ficava no caminho, em casa, até durante a ducha, pensando em como organizar melhor meu dia. Buscando solucoes e fazendo cronogramas hora a hora pra fazer um trabalho mais limpo, organizado e correto.
E bora la bater perna de novo… fico cansada so de lembrar quando… quer dizer, isso é estoria para o proximo post.
Quem leu esse até o fim, parabens! Dessa vez eu me superei. Meus dedinhos estao ate doendinhos… por isso dividi em duas partes.
So pra adiantar, o proximo emprego foi o ultimo, ok?
Ufa!
Inté!
#alguemmecarregue!

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Pode ser sorte, pode ser azar… Parte IV

CV novo, animação velha.

Viajei, fui pra Irlanda do Norte, Giant’s Causeway e Derry, visitei Edimburgo. Viagens ultrarecomendas! Pero… Frio, frio, chuva, vento. Voltei com uma infecção de garganta na mala. Mudei-me de casa. E adquiri a síndrome da “preguiça da cama gostosa”.  Um frio da gota, quarto single, duvet macio e cama de casal confortabilíssima! Nem pra escola tinha coragem de ir, imagina procurar emprego! Peeeeennnnnnseeeemmmmmm numa preguiça!                                                                           

Depois de uns 10 dias mucosada em casa, resolvi dar uma voltinha. Entreguei uns CV’s pelo centro. E tomando um café com uma amiga pablita, ela me deu a dica de um restaurante que estava pra ser inaugurado na mesma rua da outra filial do Pablo Picante. Opa!

Na fachada tinha um anúncio chamando pra fazer parte do time e com um endereço de e-mail. Porém, a inauguração seria em dois dias. A ideia parecia boa. Um salad bar, comida fresca e natural pra take away. Eu gosto. Aliás, era super adepta do Salad Creations em Sampa. Anotei o e-mail, enviei meu CV dizendo o quanto seria o meu prazer de fazer parte do time e tudo aquilo que a gente já sabe. Mas fiquei pensando com meu zíper (não sou muito chegada a botões): “A inauguração é em dois dias. Eles não vão ter tempo pra me chamar, fazer entrevista e tal. Devem estar super envolvidos com a abertura e tal. A equipe já deve estar meio que formada. Preciso fazer alguma coisa além…”

Bora lá, ué! No dia da inauguração, peguei minha pastinha de CV’s e fui ver “qualéqueera”.

Estava um caos! Os donos estavam oferecendo comida de graça! (não sei se é uma prática comum em Dublin, mas penso que sim). Fila, fila, um mundo de gente. Na porta, dois rapazes, um chinaman e um Irish entregando flyers do restaurante e controlando o tumulto. Eu me apresentei, deixei meu CV e pensei: “tomara que esses planfeteiros entreguem isso pro gerente!”.

Ledo engano, o chinaman era simplesmente o dono e o Irish com cara de moleque, o sócio. Preconceitos que rondam nossa mente mesmo sem a gente querer!

E como eu sei? Porque no dia seguinte o Andy (o china) me ligou e chamou-me para uma entrevista no mesmo dia. Iupi! Cheguei e desci para o porão onde ficava a cozinha e o escritório improvisado. Bagunça, sujeita, desorganização. O Andy prontamente desculpou-se e disse que era por causa da inauguração e tal. Olhou meu currículo, perguntou sobre minha experiência com dely e com cozinha. Depois das minhas considerações ele disse que eu poderia fazer um teste na manhã seguinte. Iupi II!

Cheguei na manhã seguinte e conheci o chef da cozinha (Rory) e seu assistente (o polonês, Slav). Rory pediu pra eu ajudar a fazer uns espetinhos de frango e começamos a conversar. Um gordinho bonachão e atrapalhado, muito simpático e que arriscava umas palavras em português (e em diversas línguas). A vaga era para o dely, mas a verdade é que nunca saí da cozinha.

O Rory adorou meu trabalho e no fim do dia falou pro Andy: “Contrata essa garota! Ela é muito boa e eu a quero aqui!” Anotou? Copiou? Colou? Iupi III!

Se eu for analisar o trabalho que mais gostei no sentido do trabalho exercido, posso dizer que foi lá, no Chopped (by the way, o nome do restaurante). Meu dia passava voando, picar trocentos legumes e verduras, temperar, assar os frangos, presunto, lavar quilos e quilos de alface. Não tinha contato com os clientes, não tinha que encarar o caos do lunch time, a fila interminável, o irish acent pedindo coisas que eu não entendia e toda aquela bagunça do dely.

Mas em muitos sentidos, trabalhar no Chopped foi a experiência mais insana de toda minha vida!

Serião!

Pra começar, aquela cozinha minúscula, no subsolo, sem janela ou ventilação, quente que nem o verão no Piauí e imunda! Sim, imunda! O chef tinha um sistema de trabalho o mais porco possível! Picava coisas e saia derrubando no chão. E, claro, não limpava nada. Picava legumes e colocava as cascas e pontas no lixo, depois resolvia que iria usar para a sopa, daí voltava e recolhia tudo e botava na panela. Eca!

Fora que as entregas chegavam pela manhã e eles deixavam as coisas fora da geladeira por horas. Carnes frescas, incluindo frango e frutos do mar! Altamente perigoso pra saúde. Isso deixava-me louca!

Tudo era feito de forma desorganizada, na correria, no meio do caos. O Rory gosta do caos. Sente-se importante, indispensável, sei lá. Eu nao gosto do caos.

Porém o tal do Rory é um chef famoso e nao era o chef oficial do restaurante. Ele estava prestando um tipo de consultoria para abertura do restaurante, criacao do menu, organizacao do trabalho da cozinha etc. O que no caso dele significava “desorganizacao da cozinha!”.

A minha “sorte” foi que depois da primeira semana, o Rory sentiu-se mais confiante e comecou a retomar suas atividades e largou nos (Slav e eu) sozinhos na cozinha.

Era uma loucura! Primeiro porque o Slav nao era uma pessoa la, muito dinamica. Gordinho, calmo e do lema “devagar se vai longe”, ocupava-se a manha inteira de preparar as sopas do dia e descer as entregas. Dai eu tinha que me organizar para dar conta de fazer TODO  o restante.

Uma listinha basica das minhas tarefas em um dia de trabalho:

Vou comecar pelo trabalho feito apos o lunch time, pois era a preparacao para o dia seguinte:

12h30

– Limpar, cortar e marinar uma média de 20kg de file de frango.

– Cozinhar uma peca de 12kg de presunto.

– Limpar, cortar e marinar um peruzao de 5kg.

– Organizacao da geladeira.

– Descascar todos os legumes possiveis: beterraba, cebola, cenoura, batata, batata doce, laranja, pepino, limpar pimentao etc.

– Picar e preparar os vegetais “roasted”: batata doce, cenoura com uva passa, mix vegetais (abobrinha, cebola, pimentao, cenoura, batata doce).

– Gratinar queijo.

– Gratinar cenoura.

– Picar e preparar cebola caramelada. Uma panela gigante cheia de cebola, vinagre a acucar cozinhando por horas e empesteando todo o ambiente com um cheiro insuportavel!

– Marinar tofu.

– Preparar 17 tipos de molhos (Cesar, barbecue, maionese etc.) 17!!!! Era uma melacacao e um transtorno.

Era muita coisa e em grande quantidade! Tentava adiantar tudo o maximo possivel, pois pela manha o bicho pegava.

7h

– Checar o que havia sobrado do dia anterior e se estava em condicoes de uso (so pra constar, eu decidia se estava bom ou nao. Mas nao era treinada pra saber checar se estava bom ou nao!)

– Assar files de frango. Usavamos uma media de 180 por dia, cada forma eu conseguia socar uns 20. Ou seja, ao menos 9 formas. Colocar, virar, checar temperatura, tirar, colocar pra resfriar.

– Assar o presuntao.

– Assar peru.

– Assar umas pernas de pato engorduradas.

– Descongelar frutos do mar, salmao e camarao.

– Picar: tomate, pepino, cebola, cebolinha, repolho, pimentao, brocolis, vagem, abacaxi, laranja, abacate e sei la mais o que. Tudo picado à mao!

– Cozinhar noodles.

– Lavar e secar quilos e quilos de alface americana, alface crespa, espinafre, rucula, repolho, repolho roxo.

– Encher os tubos dos 17 molhos! 2 ou 3 de cada! (nem preciso comentar como esse trabalho era particularmente desesperador, né?)

– Subir com tudo isso e com ovos cozidos, os “roasted vegetables”, queijo, cebola caramelada, tofu, milho, umas pimentas. TUDO! Ou seja, fazer umas 100 viagens subindo e descendo da cozinha (no subsolo) para a loja.   

Nos nao éramos autorizados a preparar com margem de sobra, entao quando comecava o horario do almoco, comecava a loucura.

As coisas acabavam rapidamente e eles vinham pedir mais. Mais pra ontem! Eu tentava prever o maximo possivel e fazer o melhor. Mas nao era facil.

No comeco, tinha uma outra brasileira que trabalhava la e no dia da abertura ajudou na cozinha. Depois disso ela foi pro dely e eu fiquei na cozinha. Sempre senti um ressentimento da parte dela por isso. Ela tinha um jeito ja conhecido por ser um pouco despachada demais, falar tudo que pensa, meio mano.

Por mim tudo bem, voce faz seu trabalho e eu faco o meu. Todo mundo se respeita e ponto final.

Mas quando a parte do “todo mundo se respeita” vai pras cucuias, dai é complicado.

Ela sempre descia na cozinha pra pedir o que acabou. Ao contrario das outras staffs (majoritariamente polonesas) que vinham ja pedindo desculpa e falando “quando der, se voce puder, sei que voce tem um milhao de coisas pra fazer etc.”; essa brasileira chegava gritando e falando que os clientes estavam pedindo e ela ja nao tinha cara de falar que estava faltando isso e aquilo. Eu fazia, entregava pra ela, sem muito papo.

Até que um dia, ela desceu com a furia e TPM total cobrando uma coisa. Eu desculpei-me, disse que estava quase pronto e falei pra ela manter a calma que eu estava no meio de um monte de afazeres. Ela esbravejou dizendo que eu nao tinha ideia do que era trabalhar. Que ficar la no dely que era loucura. Que ela ja tinha trabalhado na cozinha (1 dia!) e que aquilo era “mamao com acucar!”

Eu fiquei muito brava e so soltei: “Por favor, saia da minha cozinha. Eu trabalho com uma faca na mao e nao quero perder meu equilibrio. Isso pode fazer com que eu machuque a mim mesma ou outra pessoa!”

Brinca com a Aninha!

E o que aconteceu depois? Eu a esfaqueei? Amputei meu dedo? Dei uma facada no peito do peru de com odio e furia?

Bem, isso fica pra amanha, porque esse post ja esta virando a historia sem fim parte 2335444.

#Alguemtiraafacadaminhamao!