Depois de um longo inverno…

Depois de um longo inverno… faz frio em Dublin! Sim, frio, muito frio… não um frio de matar, mas um frio que vai matando aos poucos. 6 meses de inverno, pessoal! Não é fácil não. E eu sou a pessoa que sempre bradou: “Eu gosto de frio!” “Eu derreto no calor!”

É verdade! Mas por algum motivo este frio constante está minando minhas forças e um pouco da minha animação. Não, não estou depre ou algo do tipo, mas tenho um sono que não tem fim. Dormir é very good nesse tempinho e como quem me conhece sabe “eu sou boa de cama!” Ui! 😉 Durmo mais que urso ibernando e todas as manhãs faço promessas para a minha caminha: “Eu prometo que vou voltar o mais rápido possível! Eu tenho uns compromissos chatos hoje, mas assim que eu conseguir me livrar daquele povo chato eu volto correndo pra você!” Parece piada, mas é verdade! Tenho papos alucinantes e alucinados nas manhãs congelantes de Dublin.

Ah, principalmente agora que tenho uma cama M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A-!

Por quê? Por quê? Por quê?

É, folks… estou devendo umas histórias, eu sei, e estou enrolando com esse papinho furado fingindo que não faz dois meses que não publico um postezinho sequer.

Então vamos às novis e parar com as desculpas esfarrapadas.

1º Eu mudei de casa. Pela segunda vez! kkkkkk

A última vez que publiquei estava em Paris, voltei direto para a minha “casa nova”, pra onde já tinha levado parte das minhas coisas antes de viajar e minha amiga e companheira de gerra, Angela, terminou de fazer minha mudança durante minha viagem. Por quê mudei pra essa casa? Boa pergunta. Basicamente fiquei com medo da outra rua onde morava e onde fui assaltada (furtada, na verdade, mas a palavra assaltada dá um ar mais violento e justifica o medo… hihi). Consegui alugar minha vaga quando fui pra Portugal, então não ia pagar 15 dias de aluguel sem morar, na “casa nova” moravam estrangeiros, o que seria legal para treinar o inglês, teria um banheiro só pra mim e pra Angela e uma amiga minha morava lá e “agitou” nossa mudança.

Foram dois meses divertido. Casa grande, muita gente na casa, muitos flatmates, muita bagunça, muitos jantares compartilhados, muita risada na nossa sala internacional. A casa era dividida em térreo com sala , cozinha/lavanderia e área externa (fizemos até churrasco!), basement (sub-solo) a parte brasuca da casa: 3 brazilian girls querendo dominar o mundo. E o 1º andar com 3 quartos: 1 espanhol, 1 indiano e um italiano! Loucura total! Todo mundo tentando (mas quase não conseguindo) se comunicar em inglês, muita cultura latina, aulas de português, aulas de italiano, momento vamos impressionar todo mundo com a cultura aprendida nas novelas… kkkk… era muito engraçado, por exemplo, falar algumas palavras em indiano “Mas como é que vocês sabem isso?” Em italiano então, era um show! Mateo e Juliana ensinaram muito pra nós! Era um tal de “Ti voglio tanto bene” pra cá e pra lá!

Muito bem, mas dá pra imaginar que quando eu citei “loucura total” isso também significa que era bagunça total, sujeira total, barulho total, falta de espaço na geladeira total e essas coisinhas da vida cotidiana de uma intercambista à beira de um ataque de nervos. Até aí, tudo bem. Puxa a orelha de um, limpa o que você não sujou, tenta ir organizando o que é possível. Daí o mais improvável aconteceu, improvável para alguém normal, não para a contadora de história aqui. Alguém entrou na casa e roubou 2 notebooks! Serião! Simples assim: alguém esqueceu a porta dos fundos só encostada e o fundo da casa dá para os fundos de uns prédios, só com uma cerquinha, nada de muros, cerca elétricas e coisas de paulista neurótica. Alguém percebeu a oportunidade, abriu a porta, entrou, pegou um computador que achou dando sopa na sala, subiu para o primeiro andar, testou todas as portas, encontrou uma aberta, pegou outro computador e saiu sorrindo e cantando. O pior é que provavelmente tinha gente em casa na hora, mas numa casa onde moram 6 pessoas (e nesta ocasião tinham mais 2 convidados) escutar uns passos e barulho é a coisa mais normal do mundo.

Ah, nenhum dos dois computadores era meu. Mas fiquei horrorizada com a situação. E muito chateada pelo computador do Gaetano (o flatmate 100% italiano, como ele mesmo faz questão de frizar), pois ele está fazendo Erasmus aqui e no note dele tinha documentos de toda a vida acadêmica dele. Ele ficou arrasado, tadinho.

Claro que foi mais uma cena policial: liga pra Garda, espera a Garda, a Garda não chega, liga de novo, a Garda chega, interrogatório, perguntas cretinas, preenchimento de papéis, falsa ilusão de encontrar o material do roubo. No dia seguinte mais Garda, tirar digitais da porta dos fundos e blá, blá, blá… Agora pergunto: você encontrou os notes? Nem eles, of course.

E ainda tivemos uma resposta muito mal criada do nosso landlord quando mandamos uma mensagem contando do ocorrido, algo do tipo “Vocês moram num bairro muito seguro e tranquilo. Não é minha responsabilidade se vocês deixam a porta da casa aberta. Hahahah salsi fu fu! Jim” Fiquei muito brava, pra variar. Não estávamos esperando que ele se responsabilizasse, pagasse, ou nada disso. Porém ele sabe que aluga a casa para estudantes estrangeiros, nem sabia exatamente o que tinha acontecido, custava oferecer solidariedade e ajuda? Mesmo que por educação? Mas aqui a parada é outra e eu preciso é aprender isso logo para parar de me estressar.

Os ânimos se acalmaram, tava tudo muito bom, tudo muito bem, até que a senhorita Angela, por coincidência minha roomate, resolve não mudar a data da passagem e ir de férias para o Brasil sem data certa para voltar. Ui! Primeiro pensamos em alugar a vaga dela provisoriamente para outra pessoa dividir o quarto comigo até ela voltar, depois descobrimos que não é fácil alugar algo “provisoriamente” sem data para esse “provisório”, depois ela pensou em alugar a vaga permanente, mas aí seria complicado dividir o quarto com uma estranha até não sei quando. Então resolvemos “vamos tentar achar um lugar novo pra você e entregamos o quarto”. Fechou. E quando nós nos movemos o mundo se move, em um dia consegui encontrar um quarto single por 10 euros a mais do que pagava na outra casa.

Tá tudo muito bem, tudo muito bom, só que o nosso já conhecido e compreensivo landlord resolveu “embaçar” pra devolver nosso depósito. Vocês estão avisando com pouca antecedência, só ficaram dois meses e blá, blá, blá… ele teve a coragem de dizer que estávamos “Tirando vantagem de sua natureza ingênua”! Tadinho… rsrssrsr… Como sou porreta e não gosto de chantagem com a minha cara, em mais um dia anunciei a vaga e consegui dois amigos interessados no quarto. Mandei uma mensagem: “Ok, Jim, vou repassar a vaga. Você continua recebendo seu aluguel. Todo mundo fica feliz. Bjo e não me liga”.  E o cara de pau ainda ficou me fazendo um monte de perguntas e exigências. Haja saco! Até mandou o filho pra vir conversar comigo, a conversa durou 2 minutos. “Encontrei pessoas interessadas no quarto. Eles vão ficar. Faça as contas de uma previsão das contas desse mês que eu pago. Não gostei da mensagem do seu pai dizendo que eu estou querendo tirar vantagem dele. Sou uma pessoa muito correta e não gosto de falem isso de mim nem de brincadeira! Alguma dúvida?” “Nã-nã-não… isso parece muito bom… acredito que meu pai tenha entendido errado… desculpa… então está tudo certo… Tchau…”

Depois disso foi empacotar, empacotar e empacotar coisas e carregar, carregar e carregar coisas. Ainda bem que sou uma pessoa muito querida e consegui contar com a ajuda indispensável dos meus meninos, Colin, Marco e Gaetano. E com ALGUMAS viagens conseguimos levar tudo. É inacreditável a quantidade de coisas que já tenho aqui. Não dá pra acreditar que cheguei com uma mala grande e uma mala de mão. Claro, fui pro Brasil em janeiro e trouxe mais coisas e fui comprando aqui também. Não quero nem imaginar a sessão “desapego” que vai rolar na hora de ir embora.

Enfim, mas agora tenho meu quarto! Eeeeeeeeeeeeeee!!! E chegamos à parte da história do porque agora é mais difícil sair da cama. Tenho uma cama de casal deliciosa! O quarto é “single” só de nome, porque é gigante, dá pra dançar valsa aqui… hihi… adoro! Mas existe um acordo com o pessoal da casa pra ser single, porque senão a casa fica muito cheia. Moro com brasileiros de novo. Sou a rainha da sucata por aqui, a bendita fruta entre os homens. E, por incrível que pareça, a casa é bem organizada e limpinha.  Brincadeirinha, meninos, sei que quando vocês são organizados, superam as mulheres fácil, fácil. Estou gostando muito da nova fase: tenho meu espaço, meu canto, meu sossego. Claro, sinto falta da bagunça e confraternização constante da outra casa, e da minha companheira de todas as horas, Angela. Afinal, dormi com ela por quase 6 meses no mesmo quarto, todos os dias! Foi intenso! Kkkkkkkk…. Estou nos preparativos da campanha “Volta Angela!” pra ter certeza que o calorzinho do Brasil não vai pegar ela de jeito.

Ui, jisuis, pra contar a mudança de casa eu escrevi SÓ tudo isso!

E ainda nem contei como recuperei meu emprego e perdi-o novamente! Ou como alugamos um carro para ir pra Galway e descobrimos que temos um amigo chiliquento! Ou como consegui brigar (de novo) com a diretora da minha escola… e nem contei de Paris e Edimburgo…

Mas isso fica para os próximos posts.

Ai, estou me comprometendo e me complicando. Por favor, cobrem-me!

Alguém me segura! Que ainda tenho lição de casa pra fazer… Ui, trem bão da gota!

 

 

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4 comentários em “Depois de um longo inverno…

  1. Karina Miguel disse:

    Tinha que mudar o nome desse blog para “As Aventuras de Aninha na Irlanda”, que vida agitada 🙂

  2. Carol disse:

    Eiiiii Aninha, cadê tu?

    Volta pra dizer como andam suas aventuras na Ilha Esmeralda! 😉

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