Depois de um longo inverno…

Depois de um longo inverno… faz frio em Dublin! Sim, frio, muito frio… não um frio de matar, mas um frio que vai matando aos poucos. 6 meses de inverno, pessoal! Não é fácil não. E eu sou a pessoa que sempre bradou: “Eu gosto de frio!” “Eu derreto no calor!”

É verdade! Mas por algum motivo este frio constante está minando minhas forças e um pouco da minha animação. Não, não estou depre ou algo do tipo, mas tenho um sono que não tem fim. Dormir é very good nesse tempinho e como quem me conhece sabe “eu sou boa de cama!” Ui! ;) Durmo mais que urso ibernando e todas as manhãs faço promessas para a minha caminha: “Eu prometo que vou voltar o mais rápido possível! Eu tenho uns compromissos chatos hoje, mas assim que eu conseguir me livrar daquele povo chato eu volto correndo pra você!” Parece piada, mas é verdade! Tenho papos alucinantes e alucinados nas manhãs congelantes de Dublin.

Ah, principalmente agora que tenho uma cama M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A-!

Por quê? Por quê? Por quê?

É, folks… estou devendo umas histórias, eu sei, e estou enrolando com esse papinho furado fingindo que não faz dois meses que não publico um postezinho sequer.

Então vamos às novis e parar com as desculpas esfarrapadas.

1º Eu mudei de casa. Pela segunda vez! kkkkkk

A última vez que publiquei estava em Paris, voltei direto para a minha “casa nova”, pra onde já tinha levado parte das minhas coisas antes de viajar e minha amiga e companheira de gerra, Angela, terminou de fazer minha mudança durante minha viagem. Por quê mudei pra essa casa? Boa pergunta. Basicamente fiquei com medo da outra rua onde morava e onde fui assaltada (furtada, na verdade, mas a palavra assaltada dá um ar mais violento e justifica o medo… hihi). Consegui alugar minha vaga quando fui pra Portugal, então não ia pagar 15 dias de aluguel sem morar, na “casa nova” moravam estrangeiros, o que seria legal para treinar o inglês, teria um banheiro só pra mim e pra Angela e uma amiga minha morava lá e “agitou” nossa mudança.

Foram dois meses divertido. Casa grande, muita gente na casa, muitos flatmates, muita bagunça, muitos jantares compartilhados, muita risada na nossa sala internacional. A casa era dividida em térreo com sala , cozinha/lavanderia e área externa (fizemos até churrasco!), basement (sub-solo) a parte brasuca da casa: 3 brazilian girls querendo dominar o mundo. E o 1º andar com 3 quartos: 1 espanhol, 1 indiano e um italiano! Loucura total! Todo mundo tentando (mas quase não conseguindo) se comunicar em inglês, muita cultura latina, aulas de português, aulas de italiano, momento vamos impressionar todo mundo com a cultura aprendida nas novelas… kkkk… era muito engraçado, por exemplo, falar algumas palavras em indiano “Mas como é que vocês sabem isso?” Em italiano então, era um show! Mateo e Juliana ensinaram muito pra nós! Era um tal de “Ti voglio tanto bene” pra cá e pra lá!

Muito bem, mas dá pra imaginar que quando eu citei “loucura total” isso também significa que era bagunça total, sujeira total, barulho total, falta de espaço na geladeira total e essas coisinhas da vida cotidiana de uma intercambista à beira de um ataque de nervos. Até aí, tudo bem. Puxa a orelha de um, limpa o que você não sujou, tenta ir organizando o que é possível. Daí o mais improvável aconteceu, improvável para alguém normal, não para a contadora de história aqui. Alguém entrou na casa e roubou 2 notebooks! Serião! Simples assim: alguém esqueceu a porta dos fundos só encostada e o fundo da casa dá para os fundos de uns prédios, só com uma cerquinha, nada de muros, cerca elétricas e coisas de paulista neurótica. Alguém percebeu a oportunidade, abriu a porta, entrou, pegou um computador que achou dando sopa na sala, subiu para o primeiro andar, testou todas as portas, encontrou uma aberta, pegou outro computador e saiu sorrindo e cantando. O pior é que provavelmente tinha gente em casa na hora, mas numa casa onde moram 6 pessoas (e nesta ocasião tinham mais 2 convidados) escutar uns passos e barulho é a coisa mais normal do mundo.

Ah, nenhum dos dois computadores era meu. Mas fiquei horrorizada com a situação. E muito chateada pelo computador do Gaetano (o flatmate 100% italiano, como ele mesmo faz questão de frizar), pois ele está fazendo Erasmus aqui e no note dele tinha documentos de toda a vida acadêmica dele. Ele ficou arrasado, tadinho.

Claro que foi mais uma cena policial: liga pra Garda, espera a Garda, a Garda não chega, liga de novo, a Garda chega, interrogatório, perguntas cretinas, preenchimento de papéis, falsa ilusão de encontrar o material do roubo. No dia seguinte mais Garda, tirar digitais da porta dos fundos e blá, blá, blá… Agora pergunto: você encontrou os notes? Nem eles, of course.

E ainda tivemos uma resposta muito mal criada do nosso landlord quando mandamos uma mensagem contando do ocorrido, algo do tipo “Vocês moram num bairro muito seguro e tranquilo. Não é minha responsabilidade se vocês deixam a porta da casa aberta. Hahahah salsi fu fu! Jim” Fiquei muito brava, pra variar. Não estávamos esperando que ele se responsabilizasse, pagasse, ou nada disso. Porém ele sabe que aluga a casa para estudantes estrangeiros, nem sabia exatamente o que tinha acontecido, custava oferecer solidariedade e ajuda? Mesmo que por educação? Mas aqui a parada é outra e eu preciso é aprender isso logo para parar de me estressar.

Os ânimos se acalmaram, tava tudo muito bom, tudo muito bem, até que a senhorita Angela, por coincidência minha roomate, resolve não mudar a data da passagem e ir de férias para o Brasil sem data certa para voltar. Ui! Primeiro pensamos em alugar a vaga dela provisoriamente para outra pessoa dividir o quarto comigo até ela voltar, depois descobrimos que não é fácil alugar algo “provisoriamente” sem data para esse “provisório”, depois ela pensou em alugar a vaga permanente, mas aí seria complicado dividir o quarto com uma estranha até não sei quando. Então resolvemos “vamos tentar achar um lugar novo pra você e entregamos o quarto”. Fechou. E quando nós nos movemos o mundo se move, em um dia consegui encontrar um quarto single por 10 euros a mais do que pagava na outra casa.

Tá tudo muito bem, tudo muito bom, só que o nosso já conhecido e compreensivo landlord resolveu “embaçar” pra devolver nosso depósito. Vocês estão avisando com pouca antecedência, só ficaram dois meses e blá, blá, blá… ele teve a coragem de dizer que estávamos “Tirando vantagem de sua natureza ingênua”! Tadinho… rsrssrsr… Como sou porreta e não gosto de chantagem com a minha cara, em mais um dia anunciei a vaga e consegui dois amigos interessados no quarto. Mandei uma mensagem: “Ok, Jim, vou repassar a vaga. Você continua recebendo seu aluguel. Todo mundo fica feliz. Bjo e não me liga”.  E o cara de pau ainda ficou me fazendo um monte de perguntas e exigências. Haja saco! Até mandou o filho pra vir conversar comigo, a conversa durou 2 minutos. “Encontrei pessoas interessadas no quarto. Eles vão ficar. Faça as contas de uma previsão das contas desse mês que eu pago. Não gostei da mensagem do seu pai dizendo que eu estou querendo tirar vantagem dele. Sou uma pessoa muito correta e não gosto de falem isso de mim nem de brincadeira! Alguma dúvida?” “Nã-nã-não… isso parece muito bom… acredito que meu pai tenha entendido errado… desculpa… então está tudo certo… Tchau…”

Depois disso foi empacotar, empacotar e empacotar coisas e carregar, carregar e carregar coisas. Ainda bem que sou uma pessoa muito querida e consegui contar com a ajuda indispensável dos meus meninos, Colin, Marco e Gaetano. E com ALGUMAS viagens conseguimos levar tudo. É inacreditável a quantidade de coisas que já tenho aqui. Não dá pra acreditar que cheguei com uma mala grande e uma mala de mão. Claro, fui pro Brasil em janeiro e trouxe mais coisas e fui comprando aqui também. Não quero nem imaginar a sessão “desapego” que vai rolar na hora de ir embora.

Enfim, mas agora tenho meu quarto! Eeeeeeeeeeeeeee!!! E chegamos à parte da história do porque agora é mais difícil sair da cama. Tenho uma cama de casal deliciosa! O quarto é “single” só de nome, porque é gigante, dá pra dançar valsa aqui… hihi… adoro! Mas existe um acordo com o pessoal da casa pra ser single, porque senão a casa fica muito cheia. Moro com brasileiros de novo. Sou a rainha da sucata por aqui, a bendita fruta entre os homens. E, por incrível que pareça, a casa é bem organizada e limpinha.  Brincadeirinha, meninos, sei que quando vocês são organizados, superam as mulheres fácil, fácil. Estou gostando muito da nova fase: tenho meu espaço, meu canto, meu sossego. Claro, sinto falta da bagunça e confraternização constante da outra casa, e da minha companheira de todas as horas, Angela. Afinal, dormi com ela por quase 6 meses no mesmo quarto, todos os dias! Foi intenso! Kkkkkkkk…. Estou nos preparativos da campanha “Volta Angela!” pra ter certeza que o calorzinho do Brasil não vai pegar ela de jeito.

Ui, jisuis, pra contar a mudança de casa eu escrevi SÓ tudo isso!

E ainda nem contei como recuperei meu emprego e perdi-o novamente! Ou como alugamos um carro para ir pra Galway e descobrimos que temos um amigo chiliquento! Ou como consegui brigar (de novo) com a diretora da minha escola… e nem contei de Paris e Edimburgo…

Mas isso fica para os próximos posts.

Ai, estou me comprometendo e me complicando. Por favor, cobrem-me!

Alguém me segura! Que ainda tenho lição de casa pra fazer… Ui, trem bão da gota!

 

 

Pode ser sorte, pode ser azar…

Lembram que falei (escrevi) que encontrei o Museu do Picasso em Barcelona com as portas fechadas,  pois nao sabia que as segundas o museu nao abria?

Pois intonce…

O ser humano nao aprende a licao e hoje me programei de ir ao Museu d’Orsay.

Programei meu dia e pensei: vou a tarde pro museu… se o Louvre fica aberto ate umas 21h, o d’Orsay deve ser do mesmo jeito.

Cheguei a fila umas 16h30… e quando fui ver os horarios:

Segunda: fechado

Terca, quarta, sexta, sabado e domingo: 9h30 as 18h

e somente na quinta feira: 9h30 as 21:45!

 

So podia ser no museu com a principal colecao do periodo de arte que mais amo (o impressionismo) pra eu ter tanta sorte!

 

E vamos ver se dessa vez eu aprendo (de vez) olhar os horarios, antes de programar meu dia… rsrsrs

 

 

Hablando por ai…

Depois das paisagens, delicias e alegrias de Portugal essa intercambista metida a blogueira partiu pra Espanha.
Primeira parada: Madri.

A movimentada e efervescente capital da Espanha. Por la fiquei duas noites e dois dias. Foram bem aproveitados. Claro que nao vi tudo, acho que nem essa eh a ideia neste tipo de viagem.
No primeiro dia fiz um “free” walk tour que tinha no quadro de informacoes do hostel. O “free” eh porque eh uma guia que vive de caixinhas. Ate ai tudo bem. Era uma guia inglesa e o tour foi em ingles. Ate ai tudo bem, again. O problema eh que foi bem corrido, bem informal (como a guia gostava de frizar, que nao era uma guia oficial, entao nao daria informacoes oficiais) e no final rolou uma pressao sobre as tips. Ela deixou todo mundo num banco e falou pra gente pensar sobre os tours oficiais que custam 17 euros ou mais. Jogou um “Eh claro que eu nao estou falando pra voces pagarem isso e bla, bla, bla…” Detalhe, um tour oficial voce vai de onibus e tem guias oficiais, em varias linguas e bla, bla, bla… Dei euros pra ela e ate me arrependi, achei muito. Teve gente que deu 10 ou mais! Estavamos em umas 20 pessoas, entao ela arrecadou mais de 100 euros por um trabalhinho de 2 horas bem meia boca!

Enfim, tropecos de viajante.

Bem, Madri nao me cativou tanto assim. Muito edificio historico, as tais pracas disso e daquilo (e sem arvores… rsrsrs), mas muito cidade grande. Coisa da qual estou fugindo faz tempo.

O metro funciona muito bem e nos dois dias que fiquei la ja estava bem localizada. O hostel que eu fiquei (Las Musas) eh bem legal, mas depois vou fazer um post so sobre os hostels que fiquei hospedada durante essa trip.

Tirei meu ultimo dia para os museus. A ideia era ir ao Museu do Prado (o maior e mais importante museu da Espanha) e ao Reina Sofia, de arte mais contemporanea. Mas pelo jeito alguem avisou pra todo mundo que o Museu do Prado eh muito legal e a fila estava impossivel!
Como nao estou de ferias pra bancar a paulista na fila e me estressar, peguei minha bolsinha e rumei para o Reina Sofia. E foi uma otima ideia!

Um museu repleto de Dalis, Picassos e Miros… Lindo!
E a Guernica de Picasso!

Agora posso, antes de morrer, suspirar e dizer: “Eu vi a Guernica!” rsrsrs…

Ja vi tanta coisa nessa viagem! Estou felizona mesmo.

Por falar em ver, uma coisa que nao me deixou felizona, mas impressionada, foi um documentario sobre a segunda guerra mundial, mais precisamente sobre os campos de concentracao. Chocante!!!
Vou procurar no youtube e colocar o link aqui.

Imaginar que nao so um ser humano tem a capacidade de fazer aquelas atrocidades com outro, nao foi so um homem. Nao podemos colocar toda a culpa no Hitler. Ele arquitetou, mas haviam os que executavam e aquilo era uma industria de matanca, torturas com requintes de crueldade!

Colchoes feitos de cabelo, sabao feito com a carne (porque gordura ja nao existia) e ate folhas feita de pele humana! Eh muito horror. Sei que eh um assunto nada agradavel para um blog de intercambio, principalmente eu falando sobre minhas viagens e tal, mas era realmente necessario meu desabafo! Pronto, falei!

Nesta noite parti para Barcelona! Essa sim, que cidade linda!
Gaudi, Gaudi e mais Gaudi!
A cidade toda esta repleta com as cores, curvas e vivacidade desse artista impar!

Las Ramblas, Park Guell, Praia de Barceloneta, Sagrada Familia… andei, andei e andei. E tudo valeu a pena! Fiquei 3 dias em Barcelona. Segui os conselhos de amigos e roubei um dia de Madri para Barcelona. Fiz muito bem!
Sabado, domingo e segunda. No fim de semana a cidade estava muito cheia, entao deixei meu dia de museu para segunda. O museu: Pablo Picasso. Minha surpresa: o museu nao abre as segundas! Hehe…
Deslizes de uma viajante desinformada. Fica a dica.

Nao vou falar pra voces que parte do meu periodo na Espanha estive com um pequeno mal humor devido a uma constipacao. Nao, jamais faria isso. Eh um assunto intimo demais para falar para meus leitores invisiveis. E intimidade eh uma merda! hihi

Entao, estive um pouco mau humorada na Espanha, por um motivo que nao vem ao caso…

Next stop: Paris!

Mas isso eh assunto para outro(s) post(s).

Ah, fiz todas as minhas viagens a partir de Portugal by bus
Guarda (Portugal) – Madri = 7 horas
Madri – Barcelona = 8 horas
Barcelona – Paris = 16 horas!!!

Quase me arrependi, mas tinha planejado assim, nao tive que ir pra aeroportos longes, passar por check in Ryanair chatos, encarar atrasos (eh, to traumatizada) e ainda economizei 2 noites de hospedagem! Ah, e dormi como um anjo em todas as viagens. Em Paris, depois de 16 horas de busao, so tomei uma ducha e fui bater perna.

Tenho mais um dia em Paris. Dia 2 volto pra Dublin.
Estou feliz por estar aqui e estou feliz por voltar.
Tem coisa mais perfeita que isso?

Mudei-me de casa no dia da minha viagem pra Portugal, entao quando chegar tenho uma casa novinha (nao a casa em si… rsrsrs) pra estrear! hehe

PS: pra variar, os teclados! Esse tem TUDO fora do lugar! O “Q” trocou de lugar com o “A”. O “W” com o “Z”… o “M” fica depois do “L” e todos os pontos sao loucos. Ah, e claro, nao acho os acentos! Que trampo escrever esse post! Mas meus queridos leitores merecem! Por isso eles perdoam essa bagunca e se esforcam para entender o que eu esforcei-me para tentar escrever. hoho

PS 2: adoraria fazer uma selecao de fotos de Madri e Barcelona para colocar aqui, como fiz de Portugal, mas o acesso do hostel nao permite acessar o cartao de memoria da camera. Quando chegar em Dublin faco isso, e coloco as de Paris tambem, eh claro!

Ora, pois!

Agora os leitores desse blog (se é que restou algum… rsrsrs) podem ficar felizes!

Afinal, mais do que fazer intercâmbio, o que o estudante que vem pra Dublin quer mesmo é dar um giro pela europa.

A Aninha tá viajando pelas zooropa, mano!

Uma semana em Portugal!

Grande semana!

Estou feliz e ao mesmo tempo triste…

Feliz pela decisao que tomei, pela viagem que fiz, pelos lugares que vi, pelas pessoas que conheci e que me recepcionaram, pelos momentos maravilhosos que vivi!

Triste porque subi num ônibus e fui embora da terrinha. :(

Foram dias sensacionais que sem dúvida ficarao gravados pra sempre na minha memória e no meu coraçao…  e nas centenas de fotos que tenho como recordaçao hehe.

Portugal me conquistou! É um país lindo! Riquíssimo em história e cultura, possui um rico relevo capaz de agradar a gregos e troianos. Sao praias, motnhas, serras, castelos, vilarejos medievais etc.

Acredito que Portugal divulga-se mal. Deveria ser rota obrigatória para todos que querem conhecer Espanha, França e Itália, por exemplo.

Por lá, come-se muito bem, obrigada. E muito barato, comparado com os preços de Dublin.

E claro, nós brasileiros herdamos muita coisa da cultura portuguesa. É a nossa história, parte das nossas origens, e (praticamente) todo brasileiro tem um bocadinho de sangue português correndo nas veias.

Nossos hábitos alimentares sao similares: as deliciosas padarias, o café da manha (ou pequeno almoço, como é chamado por lá) com paes, frios, café, leite; almoço no prato e com boa comida. O jeito receptivo com amigos / visitas / familiares também lembra o do povo brasileiro.

Como é bom falar português na europa! A língua é (QUASE) a mesma, mas às vezes nos enrolamos um pouco e até apelamos para o inglês hihi. Principalmente com gírias e adjetivos.

Para uma pessoa piadista como essa aprendiz de blogueira, o jeito mais literal dos portugueses pode ser um pouco tragicômico. Isso aconteceu logo no 1º restaurante em que fui almoçar em Lisboa. Disse, com toda inocência, ao garçom que nao estava a fim de escolher o lugar e/ou o que comer e ele entendeu que eu nao estava a fim de comer la no restaurante onde estava oferencendo o almoço. hahahaha… Ele foi meio dramático e quase grosseiro. Disse que “só estava a fazer” o trabalho dele e tal… mas quando eu me desculpei pela confusao e disse que iria almoçar lá, ele derreteu-se todo. É cada gajo que me aparece!

Fui muitíssimo bem tratada em Portugal! E bem recebida pelos portugueses, nao tenho do que reclamar. Ao contrário, somente a agradecer. Mas – e infelizmente tem um “mas” – a fama das mulheres brasileiras na terra de nossos patrícios nao é das melhores. Basicamente associam brasileira à prostituta. Fiquei puta, quer dizer, muito brava quando ouvi isso… rsrsrs… mas pelo que me explicaram, há mesmo muita brasileira na prostituiçao por lá. É uma associaçao preconceituosa, mas natural… nós também fazemos isso o tempo todo, associamos uma nacionalidade à alguns esteriótipos. Uma das coisas boas de viajar e conhcer gente de todo lugar, é ir quebrando esses preconceitos. Podemos criar conceitos e ter a consciência que eles sao seus, construídos a partir das suas experiências, suas histórias. Nao sao verdades absolutas. Mas quem quer verdades absolutas? Elas existem? E se existem, só servem para serem quebradas e contestadas. Caso contrário, geralmente a coisa fica feia.

Em Portugal as pessoas contam histórias! Ao menos para mim contaram. No meu primeiro passeio, estava sentada numa praça, já de regata sob um sol de 20ºC, mas seco pra danar e consequentemente mais quente, e uma senhorinha pediu para sentar no mesmo banco em que eu estava. Claro que deixei. Um minuto depois surge a amiguinha dela. Cumprimentou a colega e foi dar uma volta pela praça. Quando ela voltou começou a puxar papo. 87 anos de pura jovialidade. E ela sabe e se orgulha disso. No meio da conversa sacou um envelope cheio de fotografias para mostrar a festa de aniversário que fizeram pra ela no Canadá! (Tá vendo, nao é só a Luiza que vai pro Canadá! hihi… nao resisti)

Muito fofa! Toda serelepe e cheia de energia. Esse ano está planejando de ir novamente. Como gosto de conhecer pessoas. E pessoas cheias de história e vida, independente da idade.

Há tanto mais para se falar de Portugal, mas o show tem que continuar. Minha viagem continua, agora estou em Madri.

Resolvi postar porque nao podia deixar de falar de Portugal. Uma parte de mim ainda está lá, na verdade.

Vou colocar algumas fotos que falarao por mim.

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Alguém me segure!

PS: pra variar, eu nao consigo me entender com a informática. Dessa vez foi o til que resolveu sumir desse teclado espanhol, entao já viu, né?

My little time in Brazil

Eu estou no aeroporto de Amsterdam. Yes. Não, eu não vim visitar a Holanda, viagem que pretendo fazer assim que possível.

Estou aqui mais uma vez para me justificar. Por que fiquei novamente um montão de tempo sem escrever… Sei o quanto é um saco acompanhar um blog que não posssui atualização frequente. Na verdade, a maioria acaba desistindo de “acompanhar” e acessa de vez em quando pra ver o que perdeu, ou se não perdeu nada…

Enfim, por isso acho importante justificar.

Estou em Amsterdam, e todos os acessos aos portões D estão fechados. Adivinha em qual portão a Aninha embarca? Murphy ataca again!

Mas o que afinal o que eu estou fazendo no aeroporto de Amsterdã, obviamente querendo chegar na minha casinha em Dublin? Estou voltando do Brasil.

O quê? Como assim? E o intercâmbio? E o curso? E seu emprego? E tudo?

Pois é… é uma loucura.

Fiz um “bate e volta” de duas semanas no Brasil. Foi o casamento da minha melhor amiga de infância, e como eu acredito que esse fato só aconteça uma vez na vida, não podia perder.

Mas é claro que se tratando da Aninha, tem uma história nisso tudo. Uma não, várias…

Em primeiro lugar, já sabia que voltaria ao Brasil para este evento desde que vim para Dublin. Como assim? E viajar pela Europa? Está nadando no dinheiro?

Não. Sou uma pessoa muito abençoada, querida e amada. Minha amiga marcou a data do casamento depois que eu já havia começado a planejar meu intercâmbio e fazia muita questão da minha presença. Ela chegou a cogitar só se casar depois que eu retornasse. Pense numa pessoa importante, hihi. Daí o noivo dela questionou quais seriam os motivos para eu não voltar  e como a passagem era o principal empecilho ($$$$$) ele ofereceu comprar a passagem para que eu pudesse ser madrinha da minha amiga! Pensa em que gesto de carinho TÃO grandioso. Mesmo sem ter ideia de como seria minha vida em Dublin, se estaria trabalhando ou não, se estaria adaptada ou não, se sei lá o que ou não, eu só pude dizer SIM! Se é para a felicidade geral do povo e o bem da nação, a Aninha volta!

Voltei! Para isso precisei sair lá do mexicano. Pois é… meio triste isso. Mas eu, a funcionária mais nova, com menos de 2 meses, quando falei que precisava ir pro Brasil, meu chefe não ficou lá muito contente… hehe.

Cheguei ao Brasil dia 29 de Janeiro, o casamento seria dia 5 de Fevereiro. Uma semana para resolver todas as coisas pré-casamento-da-melhor-amiga-que-eu-sou-madrinha. Foi uma loucura! Saí dos 5ºC com sensação térmica de 0ºC de Dublin, para os 32ºC com sensação térmica do inferno, em São Paulo! Levei o verão para os paulistas! E que calor! Juntando essa mudança brusca de temperatura, a correria, o trânsito de São Paulo, ficar o dia todo pegando ônibus – metrô – trem – chalana – etc. (coisa que eu ADORO) uma irritaçãozinha na garganta que estava sentindo quando cheguei em Madri, virou a pior infecção na garganta que tive em toda a minha vida! Na véspera do casamento no civil, eu comecei a sentir dores no corpo, nas juntas, uma moleza. Minha mãe disse que era TPCMA (Tensão Pré Casamento da Melhor Amiga), mas eu sabia que era algo mais. No dia seguinte madruguei pra ir pro cartório e já na casa da minha amiga, para o almoço de casamento, eu queria me enfiar debaixo das cobertas com um calor de derreter o crânio. Resultado: estava com febre. Neste dia ainda fomos ensaiar as entradas na chácara onde seria a festa no dia seguinte. Mas no fim do dia não teve jeito, acabei no pronto socorro (que agora é pronto atendimento) e o veredicto: infecção na garganta e na urina! Benzetacil, outra injeção e antibiótico.

No dia seguinte: o grande dia! O legal foi que acabei dormindo na casa da noiva (na prática, eu passei a noite de núpcias com ela, pois o casamento no civil foi naquele dia… hehe) e passei a manhã da noiva (pois o casamento foi 13h) com ela. Fui pro salão, acompanhei o cabelo e maquiagem, ela se vestindo, tão linda! E mais: fui no carro com ela! Isso é que eu chamo de amiga VIP! Hahaha

Ela estava tão linda! Sei que sou suspeita pra dizer isso, mas isso não é difícil para a Fernandinha, ela nasceu assim. Durante a festa acho que os remédios fizeram algum efeito e consegui me divertir bastante. Dizer que toda minha família foi, é complicado, pois minha família é grande que só… rsrsrs… mas a parte de casa foi: Mãe, Cris, Ju e Jonathan. E minha amiga Andrea, que também já é família. Ficamos juntos e foi um dia pra ficar na memória. Inclusive o calor de derreter asfalto também vai ficar na história. Ah, mas o que vai ficar na história mesmo é a linda da Fernandinha cantando e encantando todos da festa! Arrasou! Eita vozerão!

Na semana seguinte fiquei tomando antibiótico e tentando não me exceder para me recuperar. Ou seja: nada de breja nos botecos ou em qualquer lugar! E também não pude fazer tudo o que queria, pois cada vez que saía, voltava pra casa parecendo que um caminhão havia passado em cima de mim. Mas foi ótimo! Consegui ver e matar um cadim da saudade de muitos amigos, fui à Novacia, empresa que trabalhava até vim pra Dublin, e fui recebida com muito carinho por todos, o que foi muito legal, consegui almoçar com uma aqui, tomar um (dois, três, quatro, cinco) suco(s) com um aqui e outro ali, passar a tarde cantando no karaokê caseiro com outra acolá, passar um tempo com um primo mala acolá (hihi). Fiquei sem ver umas e outras piriguetes, que sabem bem quem são, mas todas estão no meu coração e sei que ninguém podia mudar a rotina ou os compromissos por causa da doida que chegou do nada e pra melhorar ainda ficou doente!

Ah, e pra melhorar, enquanto estive no Brasil foi aniversário da minha mãe, do meu pai e da minha irmã! Muito bom! Não teve festa (da Cris teve, mas não consegui ir) e eu estava moribunda, mas só de estar perto e poder dar um abraço, foi muito bom!

E mais, na sexta feira já estava melhorzinha e fui tomar sol na laje do SESC pinheiros! Estava um mormaço, mas peguei uma corzinha. Nova saga: “A volta para a friaca da Europa com a cor do pecado brasileiro”. Hehe ;)

Pra melhorar, ainda consegui finalizar um projeto de roteiro de curta metragem com um parceiro roteirista, com direito a registro na biblioteca nacional e inscrição em edital do MINC. Coisa que estava totalmente fora dos planos, mas os prazos coincidiram perfeitamente e não havia como não aproveitar a oportunidade. Mas detalhes sobre isso, eu conto – ou não – em outro episódio.

Eu tenho umas chatices sobre falar dos meus planos. Sei lá, não gosto de falar sobre coisas que não estão 100% certas. E não é nem só isso, prefiro falar de fatos do que de planos. Essa história de ir ao Brasil mesmo, poderia ter comentado antes, mas preferi esperar acontecer pra falar. Mas vou quebrar essa regra (que não é regra nenhuma) e dizer que hoje chego em Dublin e dia 16 embarco para Portugal! Passarei o carnaval na terrinha de nossos patrícios! Estou animada com essa viagem. Sabia que estaria desempregada mesmo, então resolvi dar uma viajadinha antes de voltar para a busca de subempregos. Não irei somente para Portugal, mas vou fazer um suspense, vai que você, meu leitor revoltado com essa preguiçosa blogueira, volte a xeretar por aqui nos próximos dias para conferir o restante do itinerário.  

Pode voltar!

Aguarde e confie!

 

Alguém me segure!

 

PS: escrevi o post em Amsterdã, mas postei de casa, em Dublin. Fiquei OITO horas em Amsterdã pra conseguir outro vôo. Uma parte do aeroporto foi interditada por suspeita de bomba. Pense numa pessoa cansada! Mas tinha que postar antes de dormir. Então, pra variar, não está revisado… rsrsrs… Sorry!

 

 

 

 

 

“Help! Help me! I need my documents”

Já começo com um aviso: “O ministério de ‘Intercambiar em Dublin’ adverte: evite ler este post caso tenha coração fraco, goste muito da dona deste blog, ou queira continuar com a ilusão que a europa é perfeita. A seguir cenas de muita aventura e emoção!”

Bom, está avisado!

Eu fui roubada em Dublin!

É, minha gente, nem tudo são flores e grama verde na vida de uma estudante (?) perdida na cidade da chuva.

Como assim, Ana? Por quem? Onde?

Em breve irei aos fatos, antes preciso dar uma explicação aqui para um termo que usarei neste post: knacker.

Assim que você chega em Dublin, algum brasileiro irá te alertar para a “gangue” que existe aqui na cidade. Sim, são eles, os knackers!

Pelo que sei, e já falo logo que não me dei ao trabalho de pesquisar muito sobre, são em geral jovens das classes dos “desfavorecidos” da cidade. Reconhecer um na rua não é difícil: branquelos (loiros ou ruivos), usam calça cinza da adidas (é, minha gente, a coisa aqui é diferente!) e andam em bandos. São revoltados por natureza e geralmente “atacam” imigrantes. Vira e mexe você escuta uma história do amigo do amigo que apanhou na rua do nada. E outras coisas do gênero. O mais revoltante é que aqui é o país do assistencialismo. Esse povo recebe casa do governo e inúmeras ajudas. Não pensem que eles estão passando fome ou algo do tipo por causa da tal “crise” que abala o país. Não, simplesmente para esse tipo de gente vale mais a pena ser vagabundo à procurar algo para fazer. Mais lucrativo mesmo.

Depois do momento “revoltis” vamos aos fatos.

Dizia eu que a aritimética… (não resisti!)

A data: domingo 01-01-2012

Sim, pra começar o ano com história pra contar! kkkkkkk)

O local: Dominick Street – Dublin.

Que por sinal é a rua da minha casa! No começo da rua tem um prédio que é tipo o CDHU daqui. É conhecido por morar muitos knacker lá. Um taxista já falou para o meu flatmate que ali era o “afeganistão” de Dublin! Estou bem localizada, né gente?!

O horário: 02:00 am

A situação: Feriado, cidade vazia, ruas desertas. Minha roommate (Angela) e eu voltando a pé (como sempre fazemos, quer dizer, fazíamos!) de uma baladinha. Felizes, distraídas e comentando como Dublin é pacata e parece uma cidade pequena.

A ação: de repente (não mais que de repente) sinto minha bolsa (que estava transpassada do meu ombro até o início da coxa) sendo arrancada o meu corpo! Olho para trás e vejo um vulto correndo em disparada!

Demorei alguns milésimos de segundo para entender o que estava acontecendo. Quando dei por mim, simplesmente não pensei, saí correndo atrás do ladrão. Ele virou à esquerda e eu zás, fui atrás. Quando percebi que a peste provavelmente estava treinando para provas de arrancadas e eu não ia alcançá-lo, lembrei-me de um importante trunfo: minha garganta! Comecei a gritar desesperada no meio da rua: “Help! Help me! I need my documents! I don’t have money! I need my documents”

Por que neste momento já estava raciocinando novamente e lembrei que o único dinheiro que tinha comigo, 10 euros, estava no bolso da minha calça!

Do nada apareceu um rapaz (tenho quase certeza que é irlandes) de bicicleta e me perguntou em que direção o meliante tinha ido. Eu não sabia, já o tinha perdido de vista, mas apontei pra direita e agradeci.

Nessa hora a Angela já tinha me alcançado (ela demorou uns segundinhos a mais para perceber o que estava acontecendo) e fomos andando até a Parnell Street e lá esperando o tal moço da bicicleta voltar.

Vai que ele virou a esquina, arrancou a camisa e por baixo havia um colant azul com um símbolo em vermelho e ele saiu voando atrás do aprendiz de ladrão? Daí ele voltaria sorrindo galante com a minha bolsa em uma mão e o safado pendurado pelo colarinho em outra!

Esperamos uns cinco minutos e como minha fantasia não se tornou realidade, lá fomos nós outra vez encarar a temida Dominick Street para dessa vez tentarmos chegar em casa.

Estávamos subindo a rua (é, pra ajudar ainda é uma subidinha) e, novamente, do nada para um carro do nosso lado. Um policial da Garda (a polícia daqui) baixou o vidro e perguntou se estava tudo bem. Na hora eu comecei a soluçar e falar que não estava nada bem, que tinham acabado de roubar minha bolsa.

Ele pediu para eu descrevê-lo, perguntou se usava um casaco azul. Eu disse que sim, e calça cinza. Ele falou pra entrarmos no carro. “Coloca o cinto!”

E daí começou a aventura! hahahahaha

Ele foi perguntando como tinha acontecido e onde ele tinha virado. Nós indicamos. Quando chegamos no lugar onde tínhamos encontrado o rapaz da bicicleta pela primeira vez, ele estava lá novamente! Parou o nosso carro desesperado. Ele disse para os policiais que havia encontrado o ladrão, mas que ele se recusou a devolver a bolso e apontou a direção do malandro!  A Angela fez a tradução, porque nessa hora acho que não entenderia nem português! hahahah…

Não é que ele leva jeito para herói mesmo?

Ele ainda pediu desculpas para nós… bonitinho!

E lá fomos nós! Os policiais começaram a se comunicar via rádio. E nós em alta velocidade, fazendo curvas insanas, uma loucura!

Em uns dois minutos chegamos a uma espécie de condomínio. Mais prédios no estilo CDHU. E o mais legal: no local já tinha chegado umas três viaturas. Estava uma confusão. Um povo saindo do apartamento pra ver o que estava acontecendo. Provavelmente o tonto havia voltado pra casa.

O policial do nosso carro nos falou: “Não saiam do carro!”

E a Angela solta: “Ui, adoro homem bravo!”

Daí ele apontou para debaixo de um carro que estava no estacionamento e eu tirei o cinto para conseguir enxergar, e o sem noção “Não sai do carro!”

Mas consegui ver! Era minha bolsa!

Alguns policiais saíram correndo escada acima e alguns instantes depois desceram com o ladrãozinho de meia tigela.  Ele estava de costas para mim e o policial do carro pediu para que dizer se era o safado. Calça cinza, jaqueta azul, sim era ele. Ou ao menos a roupa dele.

Seguimos para uma espécie de delegacia. Tudo vazio, nem sinal de outros casos. Provavelmente o meu foi o caso mais excitante do feriado em toda a cidade! hahahah

Entregaram-me minha bolsa e pediram pra eu conferir. Carteira, ok. Cartões todos espalhados, ok. GNIB  (meu visto, com o que eu estava mais preocupada e 150 euros pra fazer outro), ok. Meus celulares, não! Falei que só estava faltando meus celulares. Descrevi como eram e lá foi ele atrás do vagalzinho. Voltou com 4 celulares. Apontei quais eram os meus e ele pergutou se estava em português, liguei, depois ele entrou no meu facebook… kkkkk… estava quase sendo acusada de roubar meu celular!

A única coisa que faltava: a chave de casa!

E o pior: não era a minha chave, era a chave do meu flatmate que estava viajando!

Depois os policiais perguntaram se a gente queria mandar ele para o tribunal (court), onde teríamos que apontá-lo como ladrão. Falei que aquilo era meio exagerado, que eu sou uma estudante estrangeira na cidade e não quero problemas e tal. Daí a Angela perguntou o que aconteceria se não mandássemos e o policial disse: “Amanhã ele estará fazendo a mesma coisa que fez hoje!” Perguntamos se poderíamos arrumar confusão caso mandássemos ou não e ele respondeu que não, era apenas um garoto.

Pro tribunal então, safado!

E lá fomos nós dar depoimento. Cada uma numa sala. Tira bom, tira mau. kkkkkk…

Descrever tudo o que aconteceu, às 4 da manhã, em inglês… E ele queria detalhes, ficava pedindo pra repetir e falar exatamente o que aconteceu! Foi um depoimento hilário! Eu que ele arrancou minha bolsa, que comecei a correr e gritar como uma louca pelas ruas, o menino da bicicleta, eles aparecerem… Aí lembrei de perguntar uma coisa: “Como vocês apareceram lá?” “Alguém ligou para a Garda e descreveu um rapaz usando uma jaqueta azul.”  Bingo! Ao menos os gritos funcionaram.

Ah, ele realmente arrancou a bolsa do meu ombro. A alça ficou quebrada. E além disso, perdi a bolsa, o policial pediu para ficar com ela como evidência do crime. Vou sentir falta da minha Victor Hugo da 25 de março… só espero que ela só sirva como evidência contra ele! #paraguationsfellings kkkkkkkk

E foi isso.

Ah, quando eles vieram nos trazer em casa, começamos a dizer que estávamos justamente comentando como Dublin é tranquila e tal quando aconteceu a tragédia. Eles discordaram sobre ser tranquila. E nós comentamos que o mais estranho era que morávamos em São Paulo e isso nunca havia acontecido com a gente, daí a gente vem pra europa com toda essa ilusão de segurança e acontece isso. Eles perguntaram sobre a polícia no Brasil e sobre o BOPE! Eles conhecem o BOPE! E nem assistiram ao filme… As notícias sobre as pacificações nas favelas do Rio correram o mundo mesmo. O mais engraçado foi a pergunta “É igual a SWAT?”

Depois falei que ia escrever sobre o que tinha acontecido. Um deles perguntou: “Nos jornais?” “Não, no meu blog pessoal!”  kkkkkkkk

Demonstrou que ficou meio puto por estarmos com essa impressão da cidade.

Mas a atuação deles foi sensacional!

Não imaginei que iam encontrar nem a bolsa, muito menos o pivete! Já tinha dado por perdido… mas eles apareceram e salvaram a noite, assim como o Homem Codorna faria!

Mas vamos combinar que o ladrãozinho era bem fajuto também, né? Deixou o garoto de bicicleta encontrá-lo e ainda foi se esconder em casa?

Faça-me o favor!

Vou pedir no tribunal para que a pena dele sejamandá-lo para o Brasil para que eu possa aprensentá-lo à uns “manos” do Grajaú e falar “Tá vendo esse branquelo? Tentou me roubar!” hahahahahaha…

No fim, entre mortos e feridos, salvaram-se todos!

Se não fosse pela chave, poderia dizer que foi só uma folia para começar o ano na agitação! kkkkkkk…

Aprendi algumas lições:

A ocasião faz o ladrão: voltar da balada a pé conversando distraidamente não é seguro em nenhum lugar do mundo.

Correr atrás de ladrão pode fazer mal para o seu joelho direito.

Não levar nada mais que o necessário quando sair à noite. Algum dinheiro e documento de identificação (de preferência, não o seu visto e passaporte de jeito nenhum!)

Gritar pode fazer algum efeito em alguns lugares.

A Garda é pop.

Para quem estar vindo para Dublin cheio de sonhos: não se aflija com esse relato!

Dublin é realmente uma cidade tranquila em comparação à outras cidades. Mas como em todo lugar há “lugares” e “lugares”. Então tome cuidado. Tente conhecer e saber mais sobre a região que irá morar. E tome os cuidados acima. Caso veja um grupinho usando calças cinzas e tênis branco, atravesse a rua e fique ligado.

Achei importante compartilhar o que aconteceu comigo, porque… primeiro porque achei que era uma boa história para contar… (hihi) e também porque é bom – não apavorar – mas alertar quem está aqui ou está vindo.

Poderia dizer que sou uma pessoa muito azarada, pelo que aconteceu. Mas digo que sou uma pessoa muito sortuda, pela forma como tudo terminou!

O ano só está começando… e se o Maias estiverem errados… alguém me segure!!!

Angela e eu tranquilas e felizes minutos antes do acontecido!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dando o pé na bunda de 2011…

É, 2011 está acabando mesmo… Não posso dizer que já vai tarde.

Vai no momento certo e vai deixar boas lembranças.

Já deu pra perceber que sou do tipo que faço um balanço de fim de ano, escrevo as tão amadas e odiadas “promessas”, hoje fiz faxina no quarto e no banheiro… realmente acredito que é um bom momento para reorganizar a vida e fazer planos para ano que está para nascer. Que fique bem claro: PLANOS, não PROMESSAS. Acredito que quando a gente sabe o que quer, já temos meio caminho andado. Muitas vezes mesmo o difícil é saber o que queremos. Ou quando decidimos, queremos muito pouco, queremos as coisas erradas. E tem coisa melhor para visualizar um plano do que colocá-lo no papel? Para mim, não!

Não adianta escrever no computador e tal… tem que ser no papel mesmo. E este ano, para ajudar, ganhei da minha amiga do Pablo Picante – a Fran – me deu um presente sensacional! Um caderninho de capa dura (não sei como chamar, mas caderninho de capa dura parece muito pouco para o que ele é, fato) a capa é toda colorida, tem uma parte da pintura de um mosteiro tibetano! Atrás tem um dragão! Achei ma-ra-vi-lho-so! E nada melhor para rabiscar planos para o próximo ano!

A capa do "caderninho" MARA que ganhei da Fran!

Enfim, 2011 é um ano que ficará para a história! Afinal, foi o ano que vim pra Dublin e por causa disso você está lendo essas baboseiras todas, senão “provavelmente” eu não teria um blog chamado: Intercambiar em Dublin! hehe

Mas não só por isso! O ano já começou bem com o reveillon passado nas areias de Copacabana. Os fogos, a cidade maravilhosa, toda a emoção de uma das viradas de ano mais bonita do mundo! Foi inesquecível!

A vontade de fazer diferente estava lá, pulsando junto com a contagem regressiva…

Pra falar a verdade, essa vontade tinha nascido – acredito eu – quando viajei para Bonito MS. Jamais conseguiria explicar o porquê exatamente. Mas foi a minha primeira verdadeira viagem de férias, a primeira vez que viajei de avião, lugar de uma natureza exuberante, alucinante, apaixonante! Como nosso país é lindo! E lá eu conheci tanta gente bacana, um povo cheio de vida, com vontade de viajar e conhecer o mundo. Pessoas incríveis! Muitos contatos se tornaram amizades que mantenho até hoje. Tudo isso fez reacender dentro de mim uma vontade inadiável de viver a vida.

Daí chegamos em 2011, um ano que cresci muito. Um ano que  resolvi me apaixonar… profunda,  perdida e  profundamente. Me apaixonar pela pessoa que mais vale a pena no mundo:  me apaixonar por mim mesma!

Percebi que era o momento que eu podia fazer isso. Nem antes, nem depois, o momento era o “agora”!

Comecei a pensar em tudo o que eu sempre tive vontade, mas – por um motivo, ou por outro – nunca havia tido a oportunidade de fazer por mim.

Entre crescer profissionalmente, ganhar mais dinheiro, voltar pra Seicho No Ie, ajudar a reativar o Departamento Feminino da Regional Lapa, ir pra BH visitar a melhor amiga de infância que não via há mais de 11 anos e passar dias incríveis por lá (Amor incondicional é um trem que não conhece distância, nem tempo, nem barreira nenhuma, sô!), reativar definitivamente a amizade com uma pessoa que é mais que especial na minha vida (meu companheiro nas brejas e que eu posso contar em todos os momentos da vida, o Jão!), botar uma mochila nas costas em várias sextas-feiras do ano e passar o final de semana como uma nômade visitando os amigos que moram do outro  da cidade, sem desculpa de falta de tempo e-ou da loucura de se morar em São Paulo, não economizar risadas, abraços e beijos na família e nos os amigos,  ir pro nordeste com a mega friend Déia (mais paisagens incríveis, mais risadas, mais amor incondicional e uma história de “as mais famosas no Aquário” rsrssr), fazer vários  tratamentos cosméticos, depilação a laser, cuidar de um dente que me incomodava, lentes de contato, mudar o cabelo,e “otras cositas mas”, ressurgiu uma ideia que nunca havia sido realmente amadurecida: fazer um intercâmbio!

É, se tinha algo que eu podia fazer por mim era organizar minha vida: pessoal, familiar, profissional e financeira, para me dar o direito de ir morar fora. Conhecer o mundo, como eu sempre sonhei. O mais engraçado é que acho que eu pensava que realmente era um sonho. Um sonho pra ser sonhado e só. E quando eu comecei a pesquisar coisas e colocar na ponta do lápis (eu faço isso de verdade, adoro escrever à mão e precisar ser com o lápis! Comigo é “na ponta do lápis” mesmo”! kkkk) … então, quando fazia as contas eu me pegava pensando “Bicha loka, deixa disso… não vê que cê está brisando? Para de ficar viajando na maionese que quando cair, o tombo vai ser feio!”

Como você pode perceber, baixa um espírito de “mano” quando estou brigando comigo mesma! kkkkkk…

Enfim, muitos de meus amigos já conhecem essa famosa frase da minha mãe, mas para quem não conhece, aí vai: “Quem tem a vontade, já tem a metade!”

E como a mesma véia sempre diz: “Você é uma menina cheia de vontades”!

Fechô, manô!

Juntei a cara, a coragem, um cadim de dindim e cá estamos nós!

 

Esses dois primeiros meses em Dublin já serviram pra mostrar o quanto crescerei e aprenderei neste lugar.

Oro, planejo e me movo (e quando eu me movo, o mundo se move) para que 2012 seja um ano repleto de grandes pessoas na minha vida! Por que no fim é isso que mais amo: conhecer, conversar, abraçar, rir, rir e rir junto (gente, estou ficando muito conhecida pelas minhas gargalhadas! Fazer o quê, né? ;) ), ajudar, me apaixonar, ouvir histórias, contar histórias… de, para, com… pessoas!

Amo gente! Amo as pessoas que fazem parte da minha vida!

Estar longe me faz sentir saudades, mas também me faz sorrir (de novo!) ao me lembrar de tantos ótimos momentos, de tanta gente especial eu conheço, de como sou sortuda por ter a oportunidade de conhecer, amar e ser amada por pessoas tão incríveis!

O pensamento é força criadora! E eu penso com muito carinho e envio os melhores votos para cada um que é mais do que um amigo ou parente, cada um que faz parte da minha história e mais, faz  parte do que sou hoje!

Muito obrigada!!!

Ah, e eu tenho muito orgulho de ser quem eu sou! Só pra ficar claro! ;) hihi…

Feliz 2012 para todos os meus amigos e leitores!

 

PS: Desculpe os eventuais erros, estou com sono e me recuso a revisar!

Já não sou mais tão inocente…

Calma, povo! Não duvidem da minha nobreza… rsrsrs… Já são dois meses nessa tal de Dublin… Agora não posso mais olhar com carinha de gato do Shrek (agora que ele tem um filme só dele, será que ele fica ofendido de ser chamado de gato do Shrek? I dont know…) e dizer “Sorry, I arrived here just three weeks ago…” rsrsrsrs…

Já procurei trabalho, já arrumei trabalho dois trabalhos, já perdi um trabalho e já me cansei de trabalhar! É isso mesmo! Minha escala no mexicano está insana, nunca o meu corpo trabalhou tanto na minha vida! Como estou trabalhando todo dia lá, é aqui no centro de Dublin, quando o china man me mandou uma mensagem pedindo pra eu ir tal dia, eu fui sincera e falei que tinha arrumado outro emprego pois precisava trabalhar mais horas. Ele foi super fofo, me desejou sorte e pediu pra eu enviar por msg a receita do meu bolo de frutas… kkkkkk

Enfim, fazer burrito não é pra qualquer um! O restaurante é muito popular aqui… eita povinho que gosta de uma pimenta! Dizer que é busy é apelido e temos que aproveitar cada segundo livre para colocar tudo em ordem, limpeza, organização etc. Estou feliz por estar trabalhando e ganhando em euro. Com a tal da crise (cof, cof) muita gente fala que eu tive muita sorte de conseguir um (dois) emprego tão rápido e ainda com o meu inglês… Não sei muito bem o que querem dizer quando falam do meu inglês… kkkkkk

Por falar nesse tal de idioma, eu estou bem alegrinha em relação a isso. Ainda me enrolo demais pra falar, mas (e graças a Deus tem um “mas”) minha audição (listening) melhorou demais! Ontem fui para Wicklow numa excursão, a guia era irlandesa e foi o caminho INTEIRO falando no microfone e eu entendi (quase) tudo! Aquela conversa de guia, falando sobre a cidade, os pontos turísticos, as histórias e tal. Fiquei tão contente! Não faz muito tempo ouvir músicas em inglês era como aramaico para mim. Não conseguia distinguir as palavras, os sons, muito menos frases e obter sentido. Agora todo dia vou caminhando para o trabalho e ouvindo as rádios irlandesas. Tem uma que eu gosto bastante, pois o locutor fica perguntando sobre a vida da pessoa, dando opinião sobre os problemas, pergunta para o ouvinte opinião sobre algum assunto do dia… e é ótimo sentir que já estou me familiarizando com esse idiominha que sempre foi uma pedra no meu sapato.

Amo meu idioma! Não foi à toa que decidir ir trabalhar com as palavras. Nosso vocabulário é tão rico. Nossa entonação é tão importante. Conseguimos nos expressar com tantas palavras diferentes.

Aqui estou aprendendo a gostar mais do inglês. E até a me acostumar com esse sotaque irlandês que é coisa de louco! Quando conheci um americano aqui e foi tão fácil conversar com ele, me perguntei muito o porquê de eu não ter ido aprender esse troço nos Estados Unidos. Nós crescemos ouvindo inglês americano, prá nós é muito mais fácil. Mas depois me lembrei dos meus motivos. E quando o americano me falou que pra ele TAMBÉM é difícil entender os irlandeses falando, me senti muito mais tranquila. hehe…

Ah, nevou! Ou, quase… rsrsrs… O máximo que vi aqui em Dublin foi uma chuvinha com uns floquinhos de neve no meio. Isso já foi motivo para muito alvoroço por parte das minhas colegas de trabalho. Uma pagação de mico geral na frente dos clientes. kkkkkk… Sei lá, eu acho legal, mas não sou neurótica com esse lance de neve não. O povo está torcendo pra que neve no Natal. Eita povinho que cresceu assistindo filme hollywoodiano de Natal… rsrsrsrs…

Mas ontem lá em Wicklow estava tudo congelado! Lá vimos muita neve… e sentimos o QUÃO FRIO pode ser quando neva! Eita vento gelado da moléstia! Deus é pai!

Visitamos o lugar onde foram gravadas cenas de PS I Love You e Coração Valente, mas infelizmente estava nublado e não conseguimos ver muito além no horizonte. Precisarei voltar lá no verão. Ah, que chato! rsrsrs…

 

Sei lá mais o que dizer hoje.

 

Ah, inventei de ficar mais loira!

Tudo culpa de uma amiga minha do Brasil, a Lu, que ficou falando que eu tinha que fazer umas californianas nas madeixas. E de uns dias pra cá encafifei com essa ideia. Comentei com uma amiga lá do trampo, a Fran, e ela me disse pra eu procurar um salão que cuida de cabelo afro, porque aqui tem muito africano e tal. Pensei, pensei e concluí que menos de 40 euros não iria ser. Então no meu day off fui ao Tescão, comprei uma tinha ultra loira do John Frieda (estou usando a linha toda para cabelos cacheados, foi o presente que me permiti com o meu primeiro salário aqui ;) ) , depois assisti umas minas lokas no youtube fazendo californiana em casa e lá fui eu. Só que no lugar de meter água oxigenada e pó descolorante no meu “pretty exotic curly  hair”, fiz todo um processo de escovar, amarrar o cabelo no topo da cabeça e passei a tinta. “O que descolorir, descoloriu”, pensei.  Quando terminou pareceu que não tinha mudado nada. Mas depois de seco, adorei o resultado! Fiquei com as pontinhas castanho bem clarinho. “Deu uma iluminada no rosto”, como diria um consultor de beleza bem gay!  kkkkkk (Não vou citar nomes, mas aposto que vocês até conseguem visualizar a cena!) “O loiro rejuvenesce… ilumina… cabelo escuro deixa o visual muito pesado!” kkkkkkkkk

Hoje fiz minha lista de compras para o Natal. Que fique bem claro que são compras de comida! kkkkkk… Não comemoro Natal, mas não fico sem meu peru, minha farofa com uva passa e minha salada de maionese. Vou ligar pra véia e anotar o passo a passo.

Preciso ir logo à mercearia brasileira pra comprar farinha de mandioca que o troço deve estar sendo disputado no tapa.

Nossa, agora estou muito cansada e preciso de água quente no meu ombro pra tentar relaxar. Isso se o boiler ajudar e já tiver esquentado água suficiente. Já falei sobre o boiler? Não? Então não será hoje… mas já adianto que é motivo de contendas nos melhores intercâmbios… kkkkk

Alguém me segure! Hoje eu estou precisando é que alguém me apare! Por que estou a cá quase a cair, ora pois! ;)

 

 

Carrot Cake

Hello!

Em um dos últimos episódios do “Intercambiar em Dublin” (aqui é igual seriado, precisa acompanhar! kkkk) havia comentado que tinha mais novidades “trabalhistícas”, pois bem…

No post que escrevi sobre emprego, comentei que no segundo dia de busca fui a uma cidade (nem sei se é bem outra cidade, mas enfim) próxima de Dublin, Dún Laoghaire.

Intonce, nesse dia andamos (minha amiga e eu), deixamos currículos, andamos mais um pouco e… eu consegui um teste!

MInha amiga tinha ido deixar um currículo em um café e eu estava do lado de fora esperando. Esperei, esperei, esperei… depois de quase meia hora, pensei que ela já tinha começado a trabalhar! rsrsrs…

Então resolvi subir uma ruazinha pra dar uma olhada, pois depois íamos ao shopping e depois pra Blackrock. E pimba! Nessa ruazinha encontrei uma confeitaria bem charmosinha e, o melhor, com uma plaquinha de “precisa-se”! Eeeeeeeeee

Entrei e entreguei meu currículo para o dono. Apontei que tinha experiência na área, ele não me deu muita bola e sai.

Essa parte merece um parênteses, pois muita gente que me conhece deve estar pensando: “Experiência?! Que experiência???”

Vamos lá!

Em primeiro lugar, aqui – infelizmente – é muito comum você fazer um currículo de dar inveja ao Pinóquio. Principalmente para encontrar um primeiro emprego.

Eles querem que você saiba fazer o trabalho, e não importa que é pra limpar o chão, se você não escreve que já trabalhou fazendo isso, eles não confiam na sua capacidade… rsrs

Como eu disse, infelizmente.

Em segundo lugar, eu não menti! Só exagerei um pouquinho… rsrsrs

Como assim? É isso mesmo…

Pra quem não sabe, a Ana também é confeiteira! kkkkk

Como eu digo, a pergunta não é: “Você cozinha?” , a certa é: “Além de TUDO, você também cozinha?”

Aos 15 anos fiz um curso de confeitaria e sempre gostei de “brincar” na cozinha. Minha mãe é cozinheira e eu ficava lá olhando, testando, provando, mudando… rsrs…

Como grana nunca foi uma coisa fácil na minha vida, fazer comidinhas acabou se tornando uma forma de ganhar um dinheiro. Mas sempre achei incrível a cara de felicidade das pessoas ao comerem coisas gostosas. Sei lá, isso me deixa feliz.

Comecei vendendo o que minha mãe preparava e depois segui meu próprio caminho na arte da culinária. Já vendi desde geladinho e coxinha no isopor, até pavês, bolos, trufas e ovos de páscoa.

No final do magistério era conhecida por muitos como “A menina da trufa”… Boa época aquela. Tinha até uma sócia! Que se tornou uma grande, grande amiga.

Ir atrás de cursos rápidos pra aprender fazer chocolate, armazenamento, novos bolos, vender, cobrar, carregar quilos e quilos de materiais nas costas, duas horas, no busão… tudo isso fez com que eu me tornasse uma pessoa mais forte, mais cara de pau, que valoriza muito o é e o que já conquistou.

Toda essa sessão de “senta que lá vem a história” foi mais para falar que eu acho até válido exagerar no currículo, desde que você se garanta.

Por exemplo, nunca na minha vida tinha feito café em máquina de cafeteria, então não coloquei no currículo que trabalhei neste tipo de estabelecimento. Na entrevista, quando me perguntaram, disse que não sabia, mas que aprenderia facilmente.

Daí pulamos para outro fato (é, as coisas na minha cabeça são confusas, eu sei): quando fui pra Howth o amigo de uma amiga minha que trabalha em cozinha aqui disse que minha experiência em confeitaria seria um bom diferencial e que eu deveria colocar no meu currículo alguns exemplos de tortas e bolos que eu sei fazer. Como diria o Capitão Nascimento “Missão dada é missão cumprida!”

Outro fato: desde que cheguei aqui estou mais animada pra cozinhar. Escolher, comprar e fazer minha comidinha agora faz parte do prazer da refeição. E claro que fazer doces não fica de fora! Fiz uma torta de maçã pro pessoal aqui de casa e fiquei de fazer bolo de cenoura.

Entrei no skype, peguei a receita com minha mãe (ela fazia mais que eu), perguntei se ralando a cenoura ficaria bom (porque não temos liquidificador aqui em casa).

Só sei que esse bolo virou lenda, de verdade! Falei pra um monte de gente que ia fazer aqui em casa, convidei, fiz propaganda… mas não rolou! kkkkkk
Primeiro porque não tenho forma de bolo e segundo porque foi passando, passando e não marquei a data. #prontofalei kkkkkk

Tudo isso é pra mostrar como o meu sexto sentido é aguçado, porque tinha enfiado na cabeça que tinha que fazer o bolo de cenoura pra “testar”, o porque eu também não sei. Ou não sabia.

Agora vamos voltar para a confeitaria charmosinha em Dun Laoghaire.

Deixei o currículo e sai. Não caminhei nem uns 10 passos e o dono me chamou de volta. Não conseguia nem achar meu nome no currículo, mas pediu pra eu voltar no dia seguinte pra fazer um teste! Yes!

Só que esse foi o dia da entrevista no mexicano e no dia seguinte eu teria um teste lá. Dois testes no mesmo dia!

Como o mexicano é aqui no centro de Dublin, eu resolvi dar um chapéu no chinês. É, o dono da confeitaria é um chinês, o Sky!

Pois bem, dei um cano… e o que aconteceu? Ele me ligou! Tadinho… falou que nós tínhamos um compromisso e tal. E já que o inglês é uma dificuldade, dei uma de loka e disse que tinha entendido que o teste era no dia seguinte.

E deu certo! Só ouvi: “Hum… so… see you tomorrow?”

Ponto pra Ana! Aprender a enrolar em inglês faz parte do aprendizado! hahahahah

Cheguei lá no dia seguinte e a primeira coisa que o Sky me falou foi: “I want a carrot cake!”

huahuhauhauhauhauha

Sabia que devia ter feito antes!

Ao menos havia confirmado a receita com minha mãe!

Fiz. E pelo jeito deu certo, porque ele colocou o bolo pra vender (!) e me contratou!

Fim da (longa) história: por falta de um, tenho dois empregos!

Por enquanto estou conseguindo conciliar os dois. Sou assistente do confeiteiro chef. Sinto-me fazendo um estágio, principalmente pra aprender o que o pessoal daqui gosta.

Enrolei tanto na história que agora nem dá pra contar o que faço lá… kkkkk… mas é legal! ;)

A gente se vê por aí!

Preciso tomar banho e ir dormir, porque amanhã tenho muitos burritos pra fazer!

Fui…